Ruídos aleatórios durante o sono profundo prejudicam a memória
Ruídos aleatórios durante o sono prejudicam a memória

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Freiburg, na Alemanha, revelou que sons reproduzidos aleatoriamente durante um cochilo podem reduzir o tempo de sono profundo e prejudicar a formação de memórias. A pesquisa, publicada na revista científica iScience, envolveu 20 homens jovens com idades entre 18 e 31 anos, todos saudáveis.

Metodologia do estudo

Os participantes dormiram duas vezes no laboratório do sono da universidade. Antes de cada cochilo, eles realizaram testes de memória declarativa (lembrança de palavras e figuras) e de memória procedural (tarefa motora com sequências de movimentos dos dedos). Durante três horas de sono, os pesquisadores reproduziram sons curtos em intervalos aleatórios. Em outra sessão, os voluntários dormiram nas mesmas condições, mas sem a reprodução dos ruídos. Após acordarem, repetiram os testes para verificar quanto das informações haviam retido.

Principais descobertas

A principal descoberta foi que os sons não despertavam necessariamente os participantes, mas prejudicavam o período conhecido como sono profundo, que acabava sendo substituído por um estágio mais leve. Durante os cochilos com ruídos, as ondas lentas apareceram por apenas metade do tempo observado nas sessões silenciosas. Acredita-se que essas ondas cerebrais ajudem a transferir memórias do armazenamento de curto prazo para o de longo prazo. Dessa forma, uma redução nesse tipo de atividade pode diminuir a capacidade de consolidar novas informações.

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Impacto na consolidação da memória

Os resultados indicam que ruídos aleatórios podem alterar o funcionamento natural das ondas cerebrais envolvidas na consolidação das lembranças. Os autores, no entanto, adotam cautela. Eles afirmam que sons aleatórios podem prejudicar processos fisiológicos importantes do sono e destacam que isso representa uma limitação para técnicas que utilizam estímulos sonoros durante o descanso.

Limitações e cautela dos pesquisadores

Ao mesmo tempo, os pesquisadores não apresentam os resultados como prova definitiva de que qualquer ruído cotidiano prejudique a memória. Portanto, o estudo não permite concluir, por exemplo, que o chamado “ruído branco”, usado por muitas pessoas para adormecer, tenha o mesmo efeito.

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