A agricultora Larissa Cristina Telocken, de 32 anos, viralizou nas redes sociais após encontrar um cágado de aparência exótica atravessando a BR-317, em Sena Madureira, interior do Acre. O animal, identificado como mata-mata (Chelus fimbriatus), foi resgatado pelo casal e devolvido a um igarapé próximo. O vídeo do resgate, gravado em 23 de junho, acumulou quase 50 mil visualizações.
Descoberta inusitada na pista
Larissa contou ao g1 que, ao passar pelo local, inicialmente pensou que o animal fosse um jabuti, mas logo percebeu as diferenças. "Olhei rápido e falei para o meu marido: 'acho que tem um jabuti na BR, mas ele é diferente, parece que o casco é pontudo'. Quando voltamos, pensei: 'que bicho estranho é esse?'", disse. O casal resolveu agir para evitar que o réptil fosse atropelado, já que outro veículo passou sem parar. "Demos a volta e fomos lá tirar ele da pista, mesmo sem nem imaginar o que era aquilo", complementou.
Características do mata-mata
O mata-mata é conhecido por sua camuflagem que lembra um tronco de madeira, facilitando a captura de presas e a fuga de predadores. O pescoço longo permite que apenas a ponta do nariz fique fora d'água, o que faz algumas pessoas compararem o animal a um dinossauro. Nativo da Amazônia, esse cágado de água doce é inofensivo para humanos, conforme explicou o biólogo Moisés Barbosa de Souza, herpetólogo e professor da Universidade Federal do Acre (Ufac).
Comportamento e alimentação
De acordo com o pesquisador, o animal provavelmente estava se deslocando entre dois ambientes alagados quando foi encontrado na rodovia. "É um animal encontrado com facilidade em ambientes aquáticos da Amazônia. Geralmente, vive em águas rasas e paradas e com certeza estava saindo de uma área de igapó para outra", afirmou. O mata-mata se alimenta principalmente de peixes, mas também pode consumir pequenos vertebrados e invertebrados, utilizando uma técnica de sucção para capturar as presas. "Ele abre rapidamente a boca e suga o peixe inteiro", explicou o biólogo.
Reprodução e orientações
O período reprodutivo da espécie ocorre entre junho e outubro, quando as fêmeas podem colocar de 12 a mais de 30 ovos. Caso alguém encontre um exemplar fora da água, a orientação é devolvê-lo com cuidado a um ambiente aquático próximo, como lago, açude, igarapé ou rio. Larissa, acostumada com a rotina na zona rural, afirmou que nunca havia visto algo semelhante. "Como moramos na zona rural, estamos sempre vendo animais diferentes, mas esse foi uma experiência única. Na hora que postei o vídeo nas redes sociais, choveu de pergunta [sobre qual era a espécie]", declarou.



