Os juros futuros encerraram a sessão desta quarta-feira em forte alta, acompanhando a disparada do petróleo nos mercados internacionais. O movimento da curva doméstica foi bem mais intenso do que o observado em outros mercados globais, com os agentes financeiros também bastante atentos à dinâmica das expectativas inflacionárias de longo prazo.
Petróleo impulsiona juros futuros
O contrato de juros futuros com vencimento em janeiro de 2025 subiu 0,15 ponto percentual, para 11,25% ao ano. Já o contrato para janeiro de 2027 avançou 0,20 ponto, para 11,80%. O movimento foi puxado pela alta do petróleo, que subiu mais de 3% durante o dia, refletindo tensões geopolíticas e cortes de produção.
Expectativas inflacionárias no radar
Além do petróleo, os investidores monitoraram de perto as projeções de inflação de longo prazo, que seguem acima da meta. Segundo o boletim Focus, o IPCA para 2024 está estimado em 4,12%, e para 2025, em 3,90%. A curva de juros incorpora prêmios de risco mais elevados, o que pressiona os vértices mais longos.
“O mercado está ajustando as expectativas diante de um cenário externo mais inflacionário e de incertezas fiscais domésticas”, afirmou um operador de renda fixa, sob condição de anonimato.
Comparação com mercados globais
Enquanto nos Estados Unidos os rendimentos dos títulos do Tesouro de 10 anos subiram cerca de 0,05 ponto, no Brasil a alta foi de 0,20 ponto no mesmo prazo. A diferença reflete a maior sensibilidade do mercado brasileiro a choques de oferta e à percepção de risco fiscal.
O dólar também fechou em alta, cotado a R$ 5,12, pressionado pelo cenário externo e pela aversão ao risco. A Bolsa, por sua vez, caiu 0,8%, com o Ibovespa aos 118 mil pontos.



