Expedição no Oeste Paulista encontra fósseis de tartarugas de 80 mi anos
Expedição no Oeste Paulista acha fósseis de tartarugas de 80 mi

Uma expedição paleontológica no Oeste Paulista resultou na descoberta de vestígios de tartarugas com mais de 80 milhões de anos, em um sítio paleontológico localizado em uma propriedade rural de Pirapozinho (SP). O local, batizado de “Tartaruguito”, recebeu no sábado (1º) um grupo formado por nove pesquisadores e estudantes das universidades do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Federal do Espírito Santo (UFES).

O sítio Tartaruguito e suas riquezas fossilíferas

O nome do sítio deve-se à grande quantidade de fósseis de tartarugas encontrados no local, muitas vezes amontoados uns sobre os outros. Entre as espécies identificadas estão a Bauruemys elegans e a Roxochelys wanderleyi. A área é considerada um dos poucos locais do mundo com registros de um grupo de tartarugas conhecido como Pelomedusoides, o que reforça sua importância científica.

O pesquisador doutorando do Museu Nacional, Joaquin Pedro Bogado Diniz, descreve como os animais que viveram há milhões de anos foram “escondidos” pelo tempo. “Peixes, tartarugas, crocodilos morriam ali e depois eram soterrados pela lama e pelas águas das próximas enchentes na próxima estação úmida. Então, aqui nós temos duas camadas muito bem marcadas, onde você pode ver um acúmulo de material que provavelmente foi soterrado durante esses eventos de enxurrada, depois de uma grande seca”, explicou.

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Importância para o estudo do período Cretáceo

O local onde os fósseis foram localizados fica em uma área de um antigo ramal ferroviário desativado e é considerado um dos pontos mais importantes da região para o estudo de fósseis do período Cretáceo. A descoberta contribui para o entendimento da biodiversidade e das condições ambientais daquela época.

Segundo André Eduardo Piacentini Pinheiro, professor de Paleontologia da UFRJ, quando o material encontrado não é da área de pesquisa do grupo, ele é encaminhado para outros especialistas. “A gente leva para pesquisadores associados, colaboradores, outros profissionais amigos, parceiros, vamos dizer, e aí eles fazem as análises, mandam os dados e a gente complementa as coisas e vai tentando montar esse entendimento da região”, afirmou.

Descobertas adicionais e trabalho de campo

No sítio, os pesquisadores também já encontraram fósseis do Pepesuchus, um antigo crocodilo que viveu na região de Presidente Prudente há milhões de anos. Cada descoberta exige paciência, técnica e um olhar treinado. A terra e as camadas de rochas são removidas aos poucos, até que surjam os primeiros sinais.

Para os estudantes de Ciências Biológicas, participar dessa busca é a chance de ver de perto as marcas deixadas pelo passado. Arthur de Azevedo Venturin, que participou da expedição, descreveu a sensação: “Eu acho que o material completo é algo que esquenta o coração, e, particularmente, a primeira vez que eu encontrei um material menos fragmentado, um material grande, eu fiquei muito feliz.”

Financiamento e difusão do conhecimento

À frente da expedição, o paleontólogo Rodrigo Giesta Figueiredo explicou que o trabalho é financiado pelo Instituto Nacional de Paleontologia, Paleovert, e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Espírito Santo. “Apesar de ser um trabalho que às vezes é um pouco demorado, ele traz para a gente essa perspectiva da mudança do ambiente ao longo do tempo”, reforçou.

Todo material encontrado é encaminhado às instituições parceiras, onde passa a ser estudado. Cada fóssil analisado ajuda a preencher as lacunas do tempo e a compreender um pouco melhor a vida no nosso planeta. “São tempos em que a gente tem que ter muita atenção para esse tipo de mudança e olhar para o passado, ver como essas mudanças aconteceram e projetar isso para o futuro é fundamental até para a gente entender o meio ambiente hoje e como ele vai ser nos próximos anos”, completou Figueiredo.

A estudante Laura Machado Sonsin destacou a importância do contato com espécies extintas: “É quase uma honra você conseguir ter esse contato com um animal que já não está mais aqui entre a gente, e a gente poder fazer esse trabalho de levar ele para as universidades e fazer a difusão desse conhecimento.”

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