Curiosity encontra 'mar de polígonos' em Marte e intriga cientistas
Curiosity encontra 'mar de polígonos' em Marte

Descoberta surpreendente

O rover Curiosity, da NASA, encontrou em Marte uma extensa região coberta por pequenas estruturas geométricas que lembram os favos de uma colmeia. As formações, chamadas de fraturas poligonais, já haviam sido identificadas em outros pontos do planeta, mas nunca reunidas em uma área tão ampla. Segundo a agência espacial, o cenário surpreendeu os cientistas e pode conter pistas valiosas sobre o passado do planeta vermelho.

As imagens foram registradas nos dias 19 e 20 de junho, enquanto o veículo começava a subir um vale apelidado de Valle Grande. O panorama de 360 graus enviado à Terra mostra as formas em todas as direções, cobrindo até as laterais de uma elevação rochosa com cerca de seis metros de altura. De acordo com os dados divulgados pela NASA, cada polígono mede entre quatro e oito centímetros, o que indica uma formação bastante detalhada no relevo marciano.

A equipe do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), responsável pela missão, acompanhou as imagens com entusiasmo. “Já vimos muitas paisagens fascinantes pelos olhos do Curiosity, mas este mar de polígonos nos deixou sem palavras”, afirmou Ashwin Vasavada, cientista responsável pelo projeto.

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O registro aproximado mostra a superfície com uma textura que reforça a comparação com os favos de mel. O padrão geométrico se repete por toda a área observada, o que levou a equipe a considerar o local um dos mais relevantes para entender a dinâmica geológica recente de Marte.

O que são as fraturas poligonais?

Fraturas poligonais são estruturas geológicas que aparecem em forma de polígonos semelhantes a favos de mel. Em Marte, estruturas parecidas já foram vistas em outras ocasiões, geralmente associadas a antigas rachaduras de lama. Esse tipo de formação surge quando um solo úmido seca e se contrai, abrindo fissuras que se cruzam e formam padrões geométricos. No entanto, a grande concentração observada agora torna o caso excepcional.

Os pesquisadores ainda não sabem como aquele terreno se formou. Além da hipótese das rachaduras de lama, outras explicações estão sendo consideradas. Uma delas envolve sucessivos períodos de aquecimento e resfriamento do solo, que poderiam criar as fissuras. Outra possibilidade é a pressão exercida sobre sedimentos enterrados, que poderia ter expulsado a água acumulada entre eles, provocando o aparecimento dos polígonos.

Uma janela para o passado de Marte

A equipe do Curiosity mediu o formato das estruturas e analisou a composição química delas em busca de pistas sobre sua origem. O objetivo é entender não apenas como se formaram, mas o que isso significa para a evolução ambiental de Marte. A descoberta pode ajudar a reconstruir as mudanças ocorridas no planeta ao longo de bilhões de anos.

O Curiosity pousou em Marte em agosto de 2012 e, desde 2014, explora as encostas do Monte Sharp, uma montanha com cerca de cinco quilômetros de altura. A região é de especial interesse porque preserva sinais de uma época em que lagos e cursos d’água existiam no planeta. O veículo já encontrou diversos indícios de que a água desempenhou um papel importante na história marciana.

Moléculas orgânicas e habitabilidade

Ao longo da missão, o rover também encontrou cristais de enxofre, meteoritos e moléculas à base de carbono relacionadas à formação de RNA e DNA. Esses compostos, de acordo com a NASA, não comprovam que houve vida em Marte, porque podem ter surgido por processos geológicos. Ainda assim, eles reforçam que o planeta já reuniu água, nutrientes e condições químicas capazes de sustentar microrganismos.

O “mar de polígonos” descoberto agora, portanto, não é apenas uma curiosidade visual: é mais uma evidência de que o planeta passou por transformações profundas e constantes. Estudar essas formações ajuda os cientistas a montar o quebra-cabeça sobre como Marte evoluiu de um mundo possivelmente habitável para o deserto gelado que conhecemos hoje. As observações continuam, com o robô coletando dados enquanto avança pelo Monte Sharp.

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