Ciberataques a sistemas de água nos EUA afetam sete estados
Ciberataques a sistemas de água nos EUA afetam 7 estados

Os ciberataques contra sistemas de abastecimento de água nos Estados Unidos já atingem pelo menos sete estados, e o alcance pode ser muito mais amplo. Autoridades federais e estaduais correm para proteger a infraestrutura crítica enquanto investigadores avaliam a possível autoria do Irã.

Alerta se espalha pelo país

Em um alerta público divulgado na quinta-feira, o FBI e a Agência de Proteção Ambiental (EPA) informaram que, desde segunda-feira, pelo menos sete estados relataram incidentes ao FBI, e parte dessa atividade prejudicou as operações de água. As autoridades se recusaram a revelar quais estados foram afetados, mas um porta-voz do governo de Michigan confirmou que o sistema daquele estado foi atacado.

Minnesota foi o primeiro estado a relatar publicamente os ataques. A pequena cidade de Braham, ao norte de Minneapolis, está entre as atingidas. Até agora, não há indícios de que algum reservatório tenha sido alterado ou tornado inseguro para consumo humano. Mesmo assim, equipes locais e estaduais estão em alerta máximo para possíveis falhas em computadores usados para monitorar e ajustar a qualidade da água, incluindo os níveis de tratamento químico e a pressão da rede.

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Pistas apontam para ação iraniana

Autoridades afirmaram que ainda não é possível determinar com certeza se o Irã é o responsável, e a investigação está em estágio preliminar. No entanto, destacaram que o Irã intensificou os ciberataques desde que os EUA e Israel lançaram uma guerra contra o país, há cinco meses, e que já havia atacado anteriormente sistemas de água semelhantes e outras infraestruturas críticas americanas.

Nate George, prefeito de Braham, disse que autoridades federais e locais têm poucas dúvidas sobre o provável culpado. “Estamos recebendo informações aos poucos do estado de Minnesota e do FBI”, afirmou em entrevista na tarde de sexta-feira. “Eles têm bastante certeza de que são agentes iranianos”, acrescentou, mas relutam em afirmar isso publicamente.

Um memorando divulgado por uma associação do setor que compartilha informações sobre ameaças cibernéticas entre concessionárias de água, obtido pela revista Wired, indicou que os ataques são compatíveis com a atividade hacker conduzida por agentes ligados ao Irã. Segundo o documento, os métodos empregados nesta semana seguem um padrão já observado em campanhas anteriores contra sistemas de água nos EUA.

Embora a investigação ainda não tenha conclusão oficial, a combinação de informações do FBI, da EPA e de grupos de inteligência privados reforça a suspeita de que o Irã esteja testando as defesas americanas. O país já foi associado, no passado, a invasões em instalações de tratamento de água e outras infraestruturas críticas nos Estados Unidos.

Recomendações e impacto nas operações

A Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura (CISA) dos EUA, em comunicado na quinta-feira, afirmou que os hackers estão “mirando entidades de abastecimento de água de todos os portes”. O órgão recomendou que as instalações desconectem da internet os controladores vulneráveis. A atividade hacker, acrescentou a CISA, “resultou em avisos para ferver água e na operação manual contínua dos sistemas”.

Os avisos para ferver água indicam que, em algumas localidades, houve receio de contaminação, ainda que não se tenha confirmado qualquer sabotagem nos reservatórios. Mesmo sem danos à qualidade da água, os ataques obrigaram equipes a operar estações de tratamento manualmente, o que aumenta o risco de erros e atrasos no abastecimento.

Especialistas ouvidos por autoridades alertam que o alcance real das invasões pode ser muito mais amplo do que os sete estados confirmados, pois muitas concessionárias ainda não têm mecanismos para detectar ou relatar violações. A orientação federal é que sistemas de todos os tamanhos revisem imediatamente suas defesas.

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Enquanto a investigação segue, o governo federal orienta as concessionárias a reforçar senhas, atualizar softwares e monitorar redes em busca de atividades suspeitas. A recomendação imediata, no entanto, é desligar da internet os equipamentos que não precisam estar conectados, para reduzir a superfície de ataque. As autoridades também pedem que qualquer incidente seja comunicado ao FBI para ajudar a mapear a extensão do problema.