O ex-secretário de Segurança Pública e pré-candidato ao Senado Guilherme Derrite (PP) acusou o pré-candidato ao governo do estado Fernando Haddad (PT) de ter criado uma “bolsa crack” durante sua gestão como prefeito de São Paulo. A declaração foi dada neste sábado (1º), durante a convenção do Republicanos que oficializou a candidatura de Tarcísio de Freitas à reeleição. Na mesma ocasião, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) endossou o ataque e classificou Haddad como o “pior prefeito” da capital paulista.
Ataque direto ao programa De Braços Abertos
“Eu vejo o lado de lá montando mentira o dia inteiro, fazendo propaganda mentirosa. O adversário [de Tarcísio] que vai ser derrotado no 1º turno foi o grande responsável, quando prefeito, por criar o ‘bolsa crack’, não conseguiu resolver absolutamente nada”, afirmou Derrite, em discurso direcionado ao ex-prefeito petista.
O programa citado pelo ex-secretário é o De Braços Abertos, criado por Haddad em 2014 para atender usuários de drogas na Cracolândia. A iniciativa oferecia moradia temporária, alimentação, atendimento de saúde e oportunidades de trabalho. Um dos pontos mais controversos — e frequentemente explorado pela oposição — era a ausência de exigência de comprovação de abstinência por parte dos beneficiários. O objetivo declarado era atuar como política de redução de danos, um caminho gradual para que o dependente pudesse abandonar o vício.
Nunes intensifica críticas a Haddad
Na mesma convenção, Ricardo Nunes subiu o tom contra o pré-candidato do PT. “O pior ministro da Fazenda, que só prestou para ajudar o Paraguai”, disparou o prefeito, em referência à passagem de Haddad pelo Ministério da Fazenda. Nunes também cobrou empenho de deputados e senadores para garantir a vitória de Tarcísio já no primeiro turno do pleito estadual.
“Agora, depende de nós ganharmos no primeiro turno para poder varrer aquele que foi o pior prefeito de São Paulo. Ele ficou quatro anos, foi para a reeleição e o povo reprovou o trabalho dele. Ele perdeu para votos brancos e nulos. O cara que estava no exercício da Prefeitura e perdeu para votos brancos e nulos. Nós não o queremos aqui”, reforçou o prefeito.
Repercussão e contexto eleitoral
As falas de Derrite e Nunes ocorrem em meio à campanha para o governo de São Paulo, na qual Tarcísio de Freitas busca a reeleição ainda no primeiro turno. O pré-candidato do PP, que atuou como secretário de Segurança Pública, tem usado o enfrentamento ao crack e a política de redução de danos como bandeira contra o PT.
Haddad, por sua vez, tenta se desvencilhar das críticas ao De Braços Abertos, que foi uma das marcas de sua administração na capital entre 2013 e 2016. O programa chegou a ser elogiado por especialistas em saúde pública, mas também virou alvo de parlamentares e setores conservadores, que o apelidaram de “bolsa crack”. A comparação voltou a ganhar força neste ano eleitoral, com os adversários usando o termo para associar o petista a uma suposta política de incentivo ao uso de drogas.
Eleição estadual em São Paulo
A convenção do Republicanos marcou a oficialização da chapa de Tarcísio, que deve enfrentar Haddad no pleito estadual. Pesquisas recentes apontam cenário de polarização entre os dois candidatos, com vantagem numérica para o atual governador em cenários estimulados. A fala de Nunes, no entanto, reforça a estratégia da campanha de tentar desidratar o adversário e evitar um segundo turno.
O prefeito de São Paulo também usou o palanque para pedir união das forças políticas conservadoras e mobilizar os parlamentares presentes. O discurso de Derrite e Nunes, carregado de ataques diretos, sinaliza que a disputa pela sucessão estadual deve ser marcada por trocas de acusações relacionadas às gestões anteriores e aos programas sociais voltados para a população em situação de vulnerabilidade.



