As ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, em Natividade, sudeste do Tocantins, são consideradas o principal cartão-postal da cidade. O local é o mais visitado e fotografado por moradores e turistas, segundo a presidente da Associação Comunitária Cultural de Natividade (Asccuna), Simone Camelo.
A construção da igreja começou por volta de 1786, mas nunca foi concluída devido à longa duração das obras na época. De acordo com o professor, historiador e escritor Watila Misla Bonfim, doutor em História pela Universidade de Brasília (UnB), a igreja teria sido uma das primeiras do Arraial de Natividade.
Watila explicou que o nome da igreja deriva da devoção a Nossa Senhora do Rosário, originária do norte de Portugal. Em entrevista ao g1, ele afirmou que o templo era frequentado por brancos e negros, sendo a maioria de escravos e alforriados, mas apenas pessoas não escravizadas podiam ocupar cargos.
A vida social da população colonial acontecia na igreja, e era necessário fazer doações em ouro para participar dos cultos. No caso dos escravos, as doações eram feitas por seus senhores. Simone Camelo destacou que morar em Natividade é um privilégio, pois a cidade é um espaço vivo com atividades culturais constantes.
Natividade é tombada como patrimônio histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e é conhecida por seu casario colonial do século XVIII. Entre os principais monumentos estão as ruínas da Igreja do Rosário dos Pretos, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Natividade (1759), a Igreja de São Benedito, o Prédio da Antiga Cadeia Pública e as Ruínas de São Luís.
Segundo o historiador Watila, arqueólogos avaliam que a cidade pode ter surgido antes de 1734, sendo considerada a primeira cidade do Tocantins. As ruínas da igreja são um símbolo da história e da resistência da comunidade negra na região.



