O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou nesta terça-feira, 4, que, em uma hipotética invasão militar dos Estados Unidos ao Brasil, a saída seria “abrir o portão” e permitir a entrada das tropas. A declaração foi feita durante evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre descarbonização do setor marítimo, em Brasília.
“Me perguntaram se os Estados Unidos quisessem invadir o Brasil, o que é que eu faria. Temos que abrir o portão. O Brasil não tem equipamento para enfrentá-lo, nem tem dinheiro para consertar o portão”, disse o ministro.
Ministro defende aumento de investimentos em Defesa
Múcio usou o exemplo para defender um orçamento maior para as Forças Armadas. Segundo ele, o Brasil destina cerca de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) para a Defesa, percentual inferior ao de outros países, o que dificulta investimentos de longo prazo em equipamentos e tecnologia.
“Investir em defesa é como um plano de saúde. A gente escolhe o melhor, torcendo para não precisar usar”, comparou o ministro, ressaltando que o objetivo não é preparar o país para conflitos, mas garantir capacidade de dissuasão e desenvolvimento tecnológico.
Contexto: PCC e Comando Vermelho classificados como terroristas
A declaração ocorre após os Estados Unidos classificarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, medida em vigor desde o início de junho. O tema entrou no radar do governo brasileiro, gerando preocupações sobre possíveis ações militares.
A fala de Múcio contrasta com o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca transmitir uma imagem de força na defesa da soberania nacional. Enquanto Lula adota tom firme em relação a Donald Trump, a declaração do ministro projetou uma imagem de fragilidade.
Lula defende prioridade para a Defesa
Em junho, durante o lançamento da fragata Cunha Moreira, em Itajaí (SC), Lula afirmou que colocaria a segurança nacional como prioridade em seu plano de governo. “Está cheio de maluco no mundo”, disse, em referência a Trump, citando ameaças do presidente americano de assumir o controle da Groenlândia, do Canadá e do Canal do Panamá.
“Não é possível que a gente não coloque a defesa como uma coisa extremamente urgente e prioritária”, afirmou Lula, ponderando que o Brasil não busca confronto. “Eu não quero guerra, mas eu também não quero ser pego de surpresa. Eu não quero constatar que não tenho nada”, completou.
Orçamento da Defesa é o mais bloqueado
Apesar do discurso, o Ministério da Defesa foi a pasta com o maior volume de recursos bloqueados pelo governo petista no orçamento de 2025. O contingenciamento contrasta com a defesa de mais investimentos feita por Múcio e Lula.
A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos, marcada por tarifas e ataques mútuos, adiciona tensão ao cenário. A declaração de Múcio, no entanto, gerou reações imediatas, com críticos apontando que a postura enfraquece a posição brasileira no cenário internacional.



