O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém a estratégia de negociar a retirada das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, mas avalia que avanços concretos só devem ocorrer após as eleições no Brasil e no Congresso americano. A avaliação interna é que a fala do senador Marco Rubio após a sobretaxa evidenciou que a agenda americana para o Brasil neste momento é predominantemente política e eleitoral.
Negociação em curso, mas sem reciprocidade
Segundo fontes do governo, as tratativas com representantes dos EUA continuam, mas não houve sinalização de reciprocidade por parte de Washington. Enquanto isso, o governo brasileiro anunciou um pacote de R$ 18,5 bilhões para mitigar os impactos das tarifas sobre empresas brasileiras, especialmente dos setores industrial e agrícola. O valor será destinado a linhas de crédito subsidiadas e incentivos fiscais.
“O que vemos é que os EUA estão usando a pauta tarifária como instrumento de política doméstica. Não há disposição para negociação real antes das eleições”, afirmou um assessor do Palácio do Planalto sob condição de anonimato.
Impacto das tarifas e medidas de alívio
As tarifas impostas pelos EUA afetam diretamente exportações brasileiras de aço, alumínio e suco de laranja, entre outros itens. O pacote de R$ 18,5 bilhões anunciado pelo governo Lula visa aliviar os efeitos sobre as empresas, mas não substitui a necessidade de uma solução diplomática. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou que o governo continuará buscando o diálogo com os EUA, mas reconheceu que o cenário político dificulta acordos de curto prazo.
“Estamos preparados para esperar o momento adequado. O importante é que o Brasil não cederá a pressões e manterá a defesa dos interesses nacionais”, disse Haddad em entrevista coletiva.
Eleições como horizonte
O governo Lula avalia que somente após as eleições presidenciais no Brasil e as eleições de meio de mandato no Congresso americano haverá ambiente político para uma negociação mais substantiva. Até lá, a estratégia é minimizar os danos com medidas internas e manter canais abertos de comunicação com representantes do governo Biden.
“A fala de Marco Rubio foi clara: eles querem usar o tarifaço como bandeira eleitoral. Não há espaço para avanço agora”, completou o assessor.



