Queda de cabelo com canetas emagrecedoras: estudo explica e dá dicas
Queda de cabelo com canetas emagrecedoras: estudo explica

Estudo analisa quase 550 mil pacientes e confirma associação

Pesquisadores da Universidade George Washington, nos Estados Unidos, analisaram dados de aproximadamente 550 mil pacientes entre 12 e 89 anos, acompanhados de 2014 a 2024. O estudo identificou uma associação entre o uso de medicamentos agonistas de GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro (tirzepatida), e um maior risco de queda de cabelo, independentemente de fatores demográficos e clínicos.

Segundo os autores, os primeiros ensaios clínicos não destacaram esse efeito adverso, mas o aumento de relatos de pacientes motivou a investigação. Foram identificados dois tipos principais de queda: eflúvio telógeno, geralmente temporário e ligado ao estresse da perda rápida de peso; e alopecia androgenética, condição genética que pode ser acelerada durante o emagrecimento.

Causa principal não é o medicamento, mas o emagrecimento rápido

De acordo com o pesquisador Matt Akiska, para a maioria dos pacientes o quadro é compatível com eflúvio telógeno e tende a melhorar quando o peso se estabiliza. A tricologista Ludmila Vieira explica: “O corpo entende que está passando fome. O ciclo capilar é uma das estruturas mais frágeis e dispensáveis, então ele simplesmente para.”

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A coautora Savanna Vidal reforça que a maior parte da queda observada provavelmente está relacionada aos efeitos da rápida perda de peso — como restrição calórica, deficiência de proteínas e micronutrientes e estresse metabólico — e não a um efeito direto do medicamento sobre o folículo piloso.

Velocidade do emagrecimento influencia intensidade da queda

Especialistas afirmam que quanto mais rápido o emagrecimento, maior tende a ser a queda. Luciano Barsanti, presidente da Sociedade Brasileira de Tricologia, relata que aproximadamente oito em cada dez pacientes em uso de tirzepatida chegam ao consultório com queda intensa ou afinamento dos fios. Em um acompanhamento clínico com 618 pacientes sem doenças prévias do couro cabeludo, a queda foi observada mesmo com vitaminas e nutrientes equilibrados, reforçando a hipótese do estresse calórico como principal mecanismo.

Como prevenir a queda durante o tratamento

Embora nem todos os casos possam ser evitados, especialistas recomendam: priorizar o consumo de proteínas; evitar emagrecimento muito acelerado; manter níveis adequados de vitamina B12, ferritina e vitamina D; não aumentar a dose do medicamento por conta própria; e realizar acompanhamento médico durante todo o tratamento. O estudo americano também defende o aconselhamento preventivo e o acompanhamento nutricional desde o início do uso dos medicamentos.

Minoxidil resolve? Nem sempre

Segundo a dermatologista Verena Florenço, o Minoxidil não interrompe o eflúvio telógeno e pode até aumentar a queda nas primeiras semanas. O medicamento costuma ser indicado apenas em situações específicas, como alopecia androgenética associada ou queda persistente além do período esperado.

Vale a pena suspender o Mounjaro?

Na maioria dos casos, não. Os pesquisadores afirmam que a queda reflete o estresse metabólico causado pelo emagrecimento rápido, não um efeito tóxico direto. Uma vez desencadeado o eflúvio, ele tende a seguir seu curso natural mesmo com a suspensão do medicamento. Qualquer decisão deve ser tomada em conjunto com o médico responsável. Os autores ressaltam que os benefícios metabólicos e cardiovasculares dos agonistas de GLP-1 permanecem importantes e que os resultados não devem desencorajar o uso quando indicado.

Quando procurar um especialista

Segundo Vieira, a maioria dos casos melhora espontaneamente, mas quedas que persistem por mais de três a seis meses merecem investigação para descartar doenças capilares pré-existentes. Os pesquisadores da Universidade George Washington defendem que médicos informem seus pacientes sobre a possibilidade desse efeito antes do início do tratamento e acompanhem os casos de forma individualizada.

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