Uso prolongado de benzodiazepínicos pode aumentar risco de demência
No Brasil, medicamentos como clonazepam (Rivotril) e diazepam são amplamente utilizados para ansiedade e insônia. No entanto, o uso prolongado traz riscos, incluindo dependência e possível associação com demências como o Alzheimer.
Estudos recentes reforçam essa hipótese. Em 2014, pesquisadores da Universidade de Bordeaux observaram que o uso frequente de benzodiazepínicos era mais comum entre pessoas que desenvolveram demência. Já em 2024, um estudo no Journal of Alzheimer's Disease acompanhou cerca de 3 mil idosos por nove anos e constatou que os usuários frequentes ou diários apresentavam risco 79% maior de demência.
O papel do sono
Os benzodiazepínicos alteram a arquitetura do sono, reduzindo o sono profundo, essencial para a limpeza cerebral. Durante o sono profundo, o sistema glinfático elimina resíduos como a beta-amiloide, associada ao Alzheimer. Ao comprometer esse processo, os medicamentos podem favorecer o acúmulo de proteínas tóxicas.
As drogas Z, como o zolpidem, também atuam no GABA e podem ter efeitos semelhantes quando usadas a longo prazo.
Relação de causa e efeito ainda incerta
Especialistas alertam que a associação pode não ser causal. Condições como insônia crônica, depressão e ansiedade, que motivam o uso dos medicamentos, também estão ligadas ao declínio cognitivo. "É a clássica história do ovo ou da galinha", resume o psiquiatra André Negrão, da USP.
Alterações cerebrais do Alzheimer podem começar anos antes do diagnóstico, manifestando-se com sintomas como insônia e ansiedade, que levam ao uso dos benzodiazepínicos.
Riscos já conhecidos
O uso prolongado causa tolerância, dependência e sintomas de abstinência, como taquicardia e sudorese. Em idosos, aumenta o risco de quedas, confusão mental e sonolência excessiva. As drogas Z podem provocar parassonia, um estado misto entre sono e vigília.
Quando usar?
Benzodiazepínicos são indicados para crises agudas, como ataques de pânico ou insônia grave, por até quatro semanas. Devem ser evitados em maiores de 65 anos. A retirada deve ser gradual e acompanhada por médico.



