A Justiça de São Paulo aceitou, nesta terça-feira (16), a denúncia do Ministério Público contra a influenciadora e advogada Deolane Bezerra, tornando-a ré em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A investigação aponta que a facção planejava expandir internacionalmente, transferindo ativos para fundos em Dubai.
Detalhes da investigação
De acordo com a decisão judicial, a influenciadora é considerada peça-chave no esquema, juntamente com Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e outros membros da facção. A investigação apurou um plano de reestruturação de empresas ligadas ao grupo, com o objetivo de transferir patrimônio para os Emirados Árabes, país conhecido por facilitar lavagem internacional de ativos por meio de empresas de fachada.
Relatórios de inteligência financeira indicam que Deolane movimentou cerca de R$ 27 milhões em suas contas bancárias, utilizando técnicas típicas de lavagem de dinheiro, como pulverização de depósitos, uso de laranjas e inconsistências em declarações fiscais.
Repasses e provas
Segundo o Ministério Público, a influenciadora recebeu repasses de uma transportadora de cargas controlada pelo PCC, com sede em Presidente Venceslau (SP). Everton de Sousa, conhecido como Player ou Temer, operador financeiro de Alejandro Herbas Camacho Junior (irmão de Marcola), coordenava os repasses. A investigação também menciona áudios enviados por Deolane a uma diarista, que sugerem que parte dos valores atribuídos ao PCC era armazenada em imóveis da influenciadora e de seus filhos.
Bens sequestrados
A Justiça determinou o sequestro de bens de alto valor da investigada, incluindo carros de luxo registrados em seu nome ou em empresas vinculadas a ela. Entre os veículos listados estão uma Lamborghini Huracán, uma Mercedes-Benz AMG G63 e uma Cadillac Escalade.
Entenda o processo
Ao aceitar a denúncia, a Justiça torna a pessoa ré e dá início à ação penal. Isso não significa condenação. A partir dessa decisão, o processo segue para produção de provas e apresentação da defesa, até que a Justiça decida pela culpa ou inocência. A decisão foi do juiz Deyvison Heberth dos Reis, da 3ª Vara de Presidente Venceslau, interior de São Paulo. A influenciadora está presa preventivamente desde 21 de maio de 2026 em Tupi Paulista (SP).
Outros réus
Além de Deolane e Marcola, também se tornaram réus Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior e Everton de Sousa.
Defesa
Em nota conjunta, os advogados Aury Lopes Júnior, Josimary Rocha de Vilhena, Luiz Ricardo Rodrigues Imparato e Rogério Nunes defenderam a inocência de Deolane, afirmando que utilizarão todos os meios de prova necessários para esclarecer o caso, afastando qualquer alegação de ilicitude ou conduta criminosa. A defesa sustenta que a influenciadora não tem vínculo com o crime organizado e que seus rendimentos possuem origem lícita e regularmente declarada.



