WASHINGTON, 10 Jun (Reuters) – Em depoimento ao Congresso dos Estados Unidos nesta quarta-feira, Bill Gates afirmou que “não compreendia totalmente a gravidade” dos crimes de Jeffrey Epstein quando se associou ao falecido condenado criminoso sexual para arrecadar fundos para sua fundação filantrópica.
Declarações de Gates sobre Epstein
O cofundador da Microsoft também declarou que nunca testemunhou qualquer conduta criminosa por parte de Epstein, mas o acusou de tentar chantageá-lo devido a seus casos extraconjugais. “Esses casos não tinham nada a ver com minhas interações com Epstein, mas foram dolorosos para minha família”, disse Gates, conforme cópia de sua declaração inicial. “Epstein estava tentando usar informações sobre minhas infidelidades — além de muitas mentiras que ele acrescentou — para me pressionar a retomar o contato com ele.”
Investigação do Congresso
O Congresso investiga a conduta do Departamento de Justiça dos EUA no caso Epstein. O depoimento do bilionário abordou seus contatos com o criminoso sexual que aliciava mulheres e meninas de origens pobres ou instáveis. Gates testemunhou em sigilo perante a Comissão de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara, que apura possível má gestão federal nos processos contra Epstein e sua associada Ghislaine Maxwell.
Contexto do depoimento
O deputado federal James Comer, presidente republicano da comissão, solicitou a Gates, em carta enviada em março, que comparecesse para entrevista presencial com transcrição. Gates contratou Jake Greenberg, ex-chefe de investigação do painel de supervisão até dezembro, para ajudá-lo a se preparar para a audiência, informou o New York Times na terça-feira. Um porta-voz da comissão disse à Reuters que o painel não trabalha com Greenberg desde sua saída.
Histórico de Epstein
Epstein se declarou culpado de uma acusação de crime de prostituição na Flórida em 2008 e cumpriu 13 meses de prisão. Promotores federais o acusaram de tráfico sexual de menores em 2019. Ele se declarou inocente e morreu em suicídio no final daquele ano, antes do julgamento.
Encontros e documentos
Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA este ano indicaram que Gates e Epstein se encontraram repetidamente após a prisão de Epstein em 2008 para discutir a expansão dos esforços filantrópicos do bilionário da tecnologia. As evidências incluíam fotos de Gates posando com mulheres cujos rostos foram ocultados. Gates já havia dito que a relação com Epstein se limitava a discussões filantrópicas e que foi um erro se encontrar com ele.
Fundação Gates e revisão externa
A relação de Gates com Epstein envolveu a Fundação Gates, que afirmou em abril ter iniciado uma revisão externa sobre seu envolvimento com o financista morto. E-mails divulgados em janeiro pelo Departamento de Justiça dos EUA mostraram comunicações entre Epstein e a equipe da Fundação Gates. Um porta-voz do grupo filantrópico disse à Reuters que Gates “assumiu a responsabilidade por suas ações” em reunião aberta com funcionários da fundação em fevereiro.
Investigação da comissão
A investigação da comissão da Câmara norte-americana inclui a conduta das autoridades nas investigações e processos judiciais, acordos de confissão, a morte de Epstein, falhas no combate ao tráfico sexual, questões éticas e atrasos na divulgação de arquivos governamentais. A divulgação de milhões de documentos internos relacionados a Epstein revelou seus laços com figuras proeminentes da política, finanças, academia e negócios, incluindo o presidente Donald Trump, que conviveu extensivamente com Epstein nas décadas de 1990 e 2000.
Críticas a Pam Bondi
A ex-procuradora-geral Pam Bondi, demitida por Trump em abril, enfrentou críticas severas por sua condução do caso. Alguns críticos a acusaram de tentar proteger Trump. O presidente dos EUA se opôs à divulgação dos arquivos até pouco antes de o Congresso aprovar por esmagadora maioria uma lei ordenando sua divulgação.



