A repercussão envolvendo a operação Compliance Zero, realizada pela Polícia Federal, contra o senador e líder do governo Jaques Wagner (PT-BA) reacendeu o fantasma da corrupção em período eleitoral. Para o cientista político Creomar de Sousa, CEO da Dharma e professor da Fundação Dom Cabral, embora as denúncias atinjam hoje tanto o PT quanto ao núcleo duro do bolsonarismo, os efeitos eleitorais não são necessariamente os mesmos.
Memória política pesa contra o PT
“O PT tem uma desvantagem em termos de memória. Há mais lembrança dos escândalos da Lava Jato, do Mensalão e de outros episódios que contaminaram aquela aura do partido que chegou ao poder prometendo ser diferente”, afirmou durante o Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, desta sexta-feira (19). Segundo ele, novos episódios envolvendo petistas acabam sendo interpretados à luz desse histórico, o que amplia seu potencial de desgaste político.
“Quando surge uma nova denúncia envolvendo figuras ligadas ao PT, ela não é analisada isoladamente. Ela conversa com uma memória política construída ao longo de décadas”, avaliou.
Bolsonarismo também enfrenta escândalos
Creomar ressalta que o bolsonarismo também passou a conviver com investigações e escândalos próprios nos últimos anos. A diferença é que, para parte do eleitorado, esses casos ainda aparecem mais associados a lideranças específicas do que a uma identidade partidária consolidada.
Em uma eleição que deve ser disputada voto a voto, o analista avalia que a corrupção continua sendo um tema capaz de influenciar principalmente os eleitores moderados e independentes — justamente o grupo mais cobiçado pelas campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro.
O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.



