Feminicidas tentam justificar crime com 'desrespeito à honra', aponta pesquisa
Feminicidas justificam crime com 'desrespeito à honra'

Uma pesquisa inédita do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF), divulgada nesta sexta-feira (12), revela que parte dos homens condenados por feminicídio no Distrito Federal tenta justificar o crime com alegações de 'desrespeito à honra masculina'. Dos 50 presos atualmente pelo crime na capital, 39 aceitaram participar do 'Panorama da Violência contra a Mulher no Distrito Federal'.

Arrependimento e justificativas

Embora alguns tenham expressado remorso, classificando o ato como 'bárbaro' ou 'pior que um crime', outros tentaram minimizar a responsabilidade. A maioria dos entrevistados afirmou que a morte foi uma 'casualidade', e não o resultado de uma relação conflituosa. Parte dos feminicidas mencionou 'sentimentos de vergonha' e dificuldades em lidar com a 'ofensa à imagem' dos filhos como justificativa.

Em outros casos, o arrependimento foi mais autocentrado, relacionado ao sofrimento no ambiente prisional e ao fato de ter 'acabado com a vida dela e com a minha', além do desejo de mudar de cidade e de nome.

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Desrespeito à honra masculina

A pesquisa identificou uma percepção entre os criminosos de que o crime ocorreu após situações de 'desrespeito à honra masculina', como traição, disputas por autoridade, humilhações públicas e rebaixamento. Os relatos também incluem acúmulo de pressões cotidianas, como trabalho, dívidas e problemas familiares, além do uso continuado de drogas e álcool combinado a ofensas e ameaças de denúncia policial.

Em contraste, alguns homens afirmaram não conseguir explicar as motivações, vinculando o crime à embriaguez e a discussões acaloradas.

Figura paterna e reprodução de violência

Além dos presos, a pesquisa ouviu homens em diferentes regiões da capital sobre a presença paterna durante a infância e adolescência. O levantamento reforça possíveis associações entre ausência paterna e reprodução de papéis de gênero desiguais, que contribuiriam para comportamentos violentos na vida adulta.

  • 65% desses pais faziam pequenos reparos em casa
  • 33% nunca participavam de reuniões escolares
  • Apenas 18% preparavam as refeições com frequência
  • 44% nunca lavavam o banheiro de casa

Ambientes familiares violentos e traumáticos para crianças e adolescentes podem contribuir para a reprodução de violência no futuro, incluindo aquelas que atingem as mulheres, diz o estudo.

Como denunciar violência contra a mulher no DF

A Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP) oferece canais de atendimento 24 horas. Denúncias podem ser feitas por:

  • Telefone 197
  • Telefone 190
  • E-mail: denuncia197@pcdf.df.gov.br
  • Delegacia eletrônica
  • WhatsApp: (61) 98626-1197

O DF conta com duas delegacias especializadas no atendimento à mulher (Deam), na Asa Sul e em Ceilândia, mas os casos podem ser denunciados em qualquer unidade.

Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM) - Endereço: EQS 204/205, Asa Sul - Telefones: (61) 3207-6195 e (61) 3207-6212

Delegacia de Atendimento Especial à Mulher (DEAM II) - Endereço: QNM 2, Conjunto G, Área Especial, Ceilândia Centro - Telefone: (61) 3207-7391

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