Pai de santo preso suspeito de abusar de oito jovens em BH
Pai de santo preso suspeito de abusar de oito jovens em BH

Um pai de santo de 46 anos foi preso nesta quinta-feira (12) sob suspeita de abusar sexualmente de pelo menos oito mulheres, na época com idades entre 15 e 17 anos, que frequentavam um centro de umbanda no bairro Lagoa, região de Venda Nova, em Belo Horizonte. De acordo com a Polícia Civil, ele se aproveitava da posição de liderança religiosa e da confiança das vítimas para cometer os abusos.

O suspeito, identificado como Flávio Henrique de Oliveira Morais, foi detido em sua residência, no bairro Castelo, na capital mineira. Durante a operação, os agentes também apreenderam um celular, um notebook e cinco pen drives.

Abusos durante passes religiosos

Segundo as investigações, Flávio praticava os abusos durante os passes religiosos. O delegado Rodolfo Rabelo informou que o homem escolhia mulheres em situação de vulnerabilidade e utilizava técnicas de persuasão para se aproximar delas. Além dos toques inadequados, ele também enviava mensagens durante a madrugada para as vítimas.

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Uma mulher, que preferiu não se identificar, relatou à TV Globo que frequentava o centro e era amiga de uma das vítimas. Ao saber dos abusos, ela procurou a polícia para denunciar o caso. O suspeito foi encaminhado ao sistema prisional. Em seu depoimento, Flávio, que não possuía passagens anteriores, negou os crimes e alegou que uma das vítimas "teria feito a cabeça de todas as outras" para formalizarem a denúncia contra ele.

Vítimas em vulnerabilidade

De acordo com o delegado Rodolfo Rabelo, a investigação começou na segunda-feira (8). Em depoimento, as mulheres relataram que, durante as sessões de mediunidade, ele identificava jovens que já tinham histórico de abuso sexual ou que enfrentavam problemas de saúde mental, como depressão e baixa autoestima. Durante alguns rituais, o homem começava tocando nos braços e pernas das vítimas, evoluindo progressivamente para as partes íntimas.

Segundo os depoimentos, o toque físico não é comum ou necessário nas sessões de passe, mas ele justificava a conduta afirmando que as jovens tinham "uma energia sexual muito forte e intensa". Em um dos casos, o pai de santo chegou a culpar a própria vítima pelo abuso, alegando que "ela sofria aquilo porque atraía muito os homens", e afirmou que "passaria a mão por todo o corpo dela para retirar essa energia". Outra vítima chegou a ser abusada na residência do suspeito, no bairro Castelo.

Mensagens de texto e ameaças

Após o primeiro contato, o homem passava a se aproximar das vítimas e a enviar mensagens de madrugada pelas redes sociais, nas quais enviava fotos íntimas e fazia ameaças para que elas não fizessem a denúncia. Alguns frequentadores do centro, ouvidos pela polícia, relataram que achavam suspeito o fato de ele priorizar o atendimento a mulheres. Além disso, testemunhas apontaram que era muito comum algumas jovens pararem de frequentar o centro repentinamente.

Segundo o delegado Rodolfo, ao perceber que as vítimas demonstraram intenção de denunciar os crimes, o suspeito tentou se precaver juridicamente. Ele começou a colher assinaturas de frequentadores em documentos que declaravam que ele nunca havia cometido abusos, com o intuito de registrar as declarações em cartório.

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