Nova denúncia contra vereador Lucas Ganem abre segundo processo de cassação em BH
Nova denúncia contra vereador Lucas Ganem abre processo de cassação

A Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou, por unanimidade, na tarde desta terça-feira (14), o recebimento de nova denúncia contra o vereador Lucas Ganem (MDB). Com isso, mais um processo de cassação de mandato do parlamentar foi aberto, quatro dias após o arquivamento de um procedimento com a mesma finalidade.

Comissão processante é sorteada

Após 39 vereadores votarem a favor da instauração do processo, foram sorteados os membros da comissão processante, que será responsável por conduzir as investigações. José Ferreira (Podemos) será o presidente da comissão, e Marilda Portela (PL), a relatora. O grupo ainda contará com Juninho Los Hermanos (Avante). O prazo para a conclusão dos trabalhos de instrução, defesa e julgamento é de até 90 dias.

Nova denúncia: fraude no domicílio eleitoral e uso irregular de assessores

Nesta segunda-feira (13), o presidente da Câmara, Juliano Lopes (Podemos), recebeu uma nova denúncia contra Ganem por suspeita de fraude na declaração de domicílio eleitoral e uso irregular de assessores. Segundo a representação, protocolada na sexta-feira (10) por uma eleitora chamada Daniela Conceição de Sousa, o vereador teria transferido o domicílio eleitoral para Belo Horizonte em fevereiro de 2024 com base em informações falsas – ele teria informado um endereço em que não morava. A mulher também acusou Ganem de desvio de finalidade de recursos públicos por meio da contratação de assessores baseados em São Paulo.

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Denúncias contra parlamentares podem ser feitas por qualquer eleitor, com a exposição dos fatos e a indicação de provas. O g1 entrou em contato com Lucas Ganem, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Processo anterior foi arquivado

Em dezembro de 2025, um processo de cassação do mandato de Lucas Ganem foi aberto pela Câmara Municipal de Belo Horizonte. A denúncia também apontava fraude na declaração de domicílio eleitoral. A comissão processante aprovou um relatório final que recomendava a cassação, e o julgamento seria realizado pelo Plenário da Casa no dia 29 de junho. No entanto, a Justiça suspendeu o processo e impediu a realização da reunião até o julgamento definitivo do mandado de segurança apresentado pela defesa do vereador. No dia 9 de julho, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) determinou, em decisão definitiva, o arquivamento do processo de cassação. A Corte concluiu que o prazo legal de 90 dias para conclusão do procedimento havia sido ultrapassado. No dia seguinte, a Câmara Municipal arquivou o processo.

Relembre o caso Lucas Ganem

Lucas Ganem também foi alvo de um inquérito da Polícia Federal. As investigações, acolhidas pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), apontaram que o parlamentar transferiu o domicílio eleitoral de São Paulo para Belo Horizonte em fevereiro de 2024 mediante declaração considerada falsa. Segundo o MPE, ele não morava no endereço informado à Justiça Eleitoral durante o período da candidatura e só teria se mudado para a capital mineira após ser eleito. Também foi apontado que, durante a campanha eleitoral, o vereador mantinha vínculo empregatício formal como gerente de uma empresa em Curitiba (PR). O Ministério Público pediu a perda do cargo, a suspensão dos direitos políticos de Ganem por dez anos e a condenação ao pagamento de R$ 1,5 milhão por danos morais coletivos. Em dezembro de 2025, a Justiça Eleitoral determinou a cassação do mandato do parlamentar, em decisão de primeira instância. Ele permanece no cargo até o trânsito em julgado, quando não há mais possibilidade de recorrer.

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