A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (7) uma operação no Rio de Janeiro contra um grupo suspeito de utilizar postos de combustíveis para lavar dinheiro do crime organizado. Entre os investigados estão um ex-prefeito e um delegado. Foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão na capital fluminense e nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende.
Autorização do STF e relatórios do Coaf
A operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Em 2025, o STF determinou que a PF apurasse possíveis ligações entre agentes públicos e facções criminosas no Rio. A ação incluiu relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que, segundo a PF, mostram repasses entre empresas e pessoas físicas que somam mais de R$ 7,5 bilhões nos últimos seis anos. A suspeita é que os envolvidos usaram postos de combustíveis para ocultar a origem de recursos ilegais.
Alvos: ex-prefeito e delegado
Entre os alvos está Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Ele foi o deputado estadual mais votado no estado em 2022 e agora é pré-candidato ao Senado pelo União Brasil. Canella foi preso em flagrante depois que policiais encontraram um fuzil de uso restrito em uma caminhonete estacionada em frente à sua casa. Segundo a PF, o veículo era usado pelo ex-prefeito para atividades da pré-campanha ao Senado. A TV Globo apurou que, em depoimento, Canella disse que o fuzil era utilizado por um policial militar que faz sua segurança, mas não apresentou provas dessa versão. Para a PF, o ex-prefeito é o braço político do grupo.
Os policiais também foram a endereços ligados ao delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil no governo de Cláudio Castro. Após ser exonerado, ele coordenou a segurança da Assembleia Legislativa do Rio. Marcus Amim é dono de duas lojas de conveniência em postos de combustíveis.
Outros suspeitos e apreensões
Dois policiais civis e suas esposas também foram alvo de buscas. Um dos agentes é Pablo Jukia Felix Ferreira, proprietário de postos de combustíveis. Na casa dele foram apreendidos dinheiro, armas e relógios. Outro suspeito é o ex-PM Juraci Alves Prudêncio, citado no relatório final da CPI das Milícias da Alerj de 2008 como integrante de um grupo paramilitar. Ele já foi condenado por homicídio e organização criminosa.
Na operação, foram apreendidos R$ 800 mil em dinheiro, revólveres, pistolas e 11 carros de luxo. A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades de várias empresas ligadas aos investigados.
Defesas
Os advogados de Márcio Canella não quiseram se manifestar. O Jornal Nacional não localizou as defesas dos outros suspeitos.



