Ibovespa fecha em alta com maior apetite a risco após dados fracos de inflação nos EUA
Ibovespa fecha em alta com dados de inflação dos EUA

O Ibovespa fechou em alta nesta quarta-feira, impulsionado por dados de inflação nos Estados Unidos que vieram abaixo do esperado, aumentando o apetite por risco nos mercados globais. O principal índice da bolsa brasileira subiu 1,2%, aos 120.456 pontos, enquanto o dólar comercial caiu 0,8%, cotado a R$ 5,12.

Dados de inflação nos EUA impulsionam mercados

O índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA subiu 0,1% em junho na comparação mensal, ante expectativa de 0,2%. Na base anual, a alta foi de 3,1%, também abaixo da previsão de 3,3%. Os números reforçaram a expectativa de que o Federal Reserve pode iniciar cortes de juros ainda neste ano, o que beneficiou ativos de risco como ações e moedas de países emergentes.

"O mercado interpretou os dados como um sinal de que a inflação americana está sob controle, o que abre espaço para o Fed flexibilizar a política monetária", afirmou Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter. "Isso é positivo para o Brasil, pois reduz a pressão sobre o câmbio e atrai capital estrangeiro."

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Setores mais beneficiados

As ações de empresas ligadas ao consumo e ao setor imobiliário lideraram os ganhos. As ações da Lojas Renner (LREN3) subiram 3,5%, seguidas por Magazine Luiza (MGLU3), com alta de 4,2%. Já os papéis da Cyrela (CYRE3) avançaram 2,8%. O setor de tecnologia também se destacou, com a Totvs (TOTS3) subindo 2,1%.

Entre as blue chips, a Petrobras (PETR4) teve alta de 0,9%, acompanhando a valorização do petróleo no exterior. A Vale (VALE3) subiu 0,5%, em linha com o avanço do minério de ferro na China.

Dólar e juros futuros

O dólar comercial fechou em queda de 0,8%, cotado a R$ 5,12, menor valor desde maio. No mercado de juros futuros, as taxas recuaram, com o DI para janeiro de 2027 caindo de 13,45% para 13,38% ao ano. "A combinação de inflação americana mais baixa e expectativa de corte de juros nos EUA reduz a pressão sobre o real e permite que o Banco Central brasileiro mantenha a Selic estável por mais tempo", comentou André Perfeito, economista-chefe da Necton.

Perspectivas

Analistas esperam que o Ibovespa continue a se beneficiar do cenário externo favorável, mas alertam para riscos fiscais domésticos. "O mercado está de olho na tramitação da reforma tributária e no cumprimento do arcabouço fiscal. Qualquer sinal de descontrole pode reverter o otimismo", disse Perfeito. Apesar disso, o índice acumula alta de 8,5% no mês.

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