A senadora Tereza Cristina (PP-MS) sinalizou a aliados que está disposta a aceitar um convite para ser vice-presidente na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A mudança de posição ocorre após ela ter recusado a primeira sondagem feita pelo grupo do senador. Apesar da sinalização positiva, a decisão final não está em suas mãos, cabendo ao presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), conduzir as negociações.
O movimento acontece poucos dias depois de a federação União Brasil-PP declarar neutralidade na disputa presidencial. Nos bastidores, a eventual participação de Tereza Cristina na chapa do PL é tratada como uma alternativa viável, desde que haja um entendimento político entre os partidos.
Fortalecimento da chapa
Segundo interlocutores próximos a Flávio Bolsonaro, Tereza Cristina é considerada um dos nomes com maior potencial para aumentar a competitividade da candidatura. "Ela pode fortalecer o diálogo com o agronegócio, melhorar a interlocução com o Congresso Nacional e ampliar o alcance entre o eleitorado feminino", afirmou um aliado do senador, que pediu anonimato. A ex-ministra da Agricultura já demonstrou capacidade de articulação política durante sua gestão no governo Jair Bolsonaro, onde comandou a pasta de janeiro de 2019 a março de 2022.
Dentro do PL, a senadora é a principal opção para a vaga de vice, segundo o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto. Anteriormente, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques foi cogitada, mas dirigentes avaliam que ela não teria o mesmo potencial de transferência eleitoral atribuído a Tereza Cristina.
Vantagens políticas
Uma vantagem prática para a senadora é que ela está em pleno exercício do mandato no Senado, não precisando renunciar para concorrer. Caso a chapa seja derrotada, ela continua no cargo. A senadora, que foi eleita em 2018 para um mandato de oito anos, não enfrentaria o risco de perder o assento.
Tereza Cristina foi a primeira mulher a ocupar o Ministério da Agricultura no Brasil, cargo que exerceu por três anos. Sua atuação no setor agropecuário é amplamente reconhecida, o que a torna um trunfo para a chapa de Flávio Bolsonaro, que busca consolidar o apoio do agronegócio, base eleitoral importante para o bolsonarismo.
Negociações em andamento
As conversas entre PP e PL ainda dependem de um entendimento político mais amplo. O presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira, é o principal articulador. A neutralidade declarada pela federação União Brasil-PP não impede acordos pontuais, segundo analistas. Flávio Bolsonaro, por sua vez, já trocou de marqueteiros duas vezes e convidou Duda Lima, que comandou a comunicação de Jair Bolsonaro em 2022, para sua campanha.
A escolha de Tereza Cristina como vice também teria o efeito de unir as bases do PP e do PL, partidos que já foram aliados no governo Bolsonaro. Além disso, a senadora tem bom trânsito no Congresso, o que poderia facilitar a governança em caso de vitória. A definição final, no entanto, ainda depende de ajustes entre as cúpulas partidárias.
Cenário eleitoral
A candidatura de Flávio Bolsonaro surge após a inelegibilidade de Jair Bolsonaro, que foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral. O senador do PL busca se posicionar como herdeiro político do pai, mas precisa ampliar sua base de apoio. A escolha de uma vice com experiência em gestão e forte ligação com o agronegócio pode ser decisiva para atrair eleitores moderados e do centro. Segundo aliados, Tereza Cristina tem boa aceitação entre os eleitores do agronegócio e do Centro-Oeste, regiões estratégicas para a candidatura.
Por outro lado, a senadora do PP também precisa avaliar os custos políticos de se associar a Flávio Bolsonaro, que enfrenta rejeição significativa em algumas regiões. No entanto, aliados dela afirmam que a oportunidade de voltar ao Executivo federal é tentadora. "Ela vê com bons olhos a possibilidade de contribuir com o país em uma posição de destaque", disse uma fonte próxima.



