O comércio em Campinas (SP) encerrou o primeiro semestre de 2026 com saldo negativo de 179 empregos formais, uma queda de 127% em comparação com o mesmo período de 2025. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (29) pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego.
Serviços em alta
Enquanto o comércio recuou, o setor de serviços teve alta de 70% na criação de vagas, passando de 4.940 postos no primeiro semestre de 2025 para 8.459 neste ano. Apesar do desempenho negativo de alguns segmentos, o saldo geral de empregos na cidade cresceu 6,5%, de 7.913 para 8.432 vagas.
O economista do Sindicato do Comércio Varejista de Campinas e Região (Sindivarejista), Jaime Vasconcellos, alertou para a forte concentração de vagas no setor de serviços. Segundo ele, uma economia mais forte precisa ter crescimento em diferentes áreas. "É importante que outros setores tenham crescimento da empregabilidade, e não foi o que aconteceu... há o lado positivo de expansão do mercado de trabalho, mas o lado preocupante de muita concentração apenas no setor de serviços", comentou.
Queda no comércio e construção
O comércio registrou saldo negativo de 179 vagas, ante 600 positivas em 2025. A construção civil também teve desempenho negativo, com -299 vagas, contra 1.585 no ano anterior, uma queda de 111,3%. A indústria perdeu 37% das vagas (405 ante 652), e a agropecuária recuou 39% (46 ante 76).
Vasconcellos explicou que o comércio costuma reduzir vagas no início do ano, mas, em 2026, a recuperação esperada após o segundo trimestre não ocorreu. Juros altos, crédito caro e endividamento reduziram o consumo e afetaram as contratações. Os setores mais atingidos são o varejo de roupas e calçados, além de bens duráveis, como móveis e eletrodomésticos. Até os supermercados, que vinham crescendo, estão contratando menos.
Impacto no bolso do consumidor
"O comércio é o setor que mais tem contato com o consumidor final. E nós sabemos que esse consumidor, em 2026 especialmente, tem sentido no seu orçamento os impactos negativos e fortes", afirmou Vasconcellos. Para o segundo semestre, ele espera uma melhora com as contratações de fim de ano, mas não acredita que o setor alcance os níveis anteriores de geração de empregos.
Expansão nos serviços
Enquanto o comércio enfrenta dificuldades, empresas do setor de serviços continuam contratando. No Hospital Santa Tereza, o número de funcionários cresceu 10% apenas em 2026, segundo a diretora operacional, Leonice Barbieri. A ampliação da estrutura, que fez o hospital passar de 56 para 178 leitos, aumentou a necessidade de profissionais, principalmente para o atendimento aos pacientes. Desde a pandemia, o quadro de funcionários praticamente dobrou.
A expansão também abriu oportunidades para que funcionários assumissem novas funções. É o caso de Lesley Paiva, contratada para trabalhar na área de relacionamento médico. "Foi muito importante, eu gostei muito dessa oportunidade", contou.



