O Partido Social Democrático (PSD) oficializou neste domingo (26), em convenção realizada em São Paulo, a candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência da República. Ex-governador de Goiás, Caiado disputará o Palácio do Planalto pela segunda vez, agora em uma chapa formada exclusivamente por integrantes da legenda. O presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, foi confirmado como candidato a vice-presidente.
Discurso de ruptura com a polarização
Em seu discurso, Caiado afirmou que decidiu entrar na disputa para oferecer uma alternativa à polarização entre o governo Lula e o bolsonarismo. "Esse encontro hoje é um encontro com a sociedade brasileira, com aquele que quer enxergar no próximo presidente da República um homem que não tem nada a esconder e muito para mostrar", declarou. O candidato também defendeu que o país precisa retomar debates sobre segurança pública, educação e saúde, em vez de manter o foco nos conflitos entre os dois principais campos políticos. "Há uma agressão que cada dia parece uma briga inútil provocada para alimentar uma campanha à Presidência da República. O que isso trouxe de resultado para a população brasileira?", questionou.
Chapa sem alianças nacionais
O PSD chega à disputa presidencial sem coligações nacionais, resultando em uma chapa 'puro-sangue'. Kassab, fundador do partido, ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro nos governos Dilma Rousseff e Michel Temer, ocupará a vice. Apesar da proximidade política com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), Kassab não conseguiu atrair o Republicanos para o projeto presidencial — a legenda decidiu apoiar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL). A ausência de alianças limita a presença de Caiado em importantes colégios eleitorais. Em São Paulo, o PSD apoia a reeleição de Tarcísio, que declarou apoio a Flávio Bolsonaro. Em Minas Gerais, o governador Mateus Simões (PSD) está alinhado ao projeto de Romeu Zema (Novo). Já na Bahia e no Rio de Janeiro, lideranças estaduais do PSD apoiam o presidente Lula. Questionado sobre a falta de unidade, Kassab minimizou o impacto: "O PSD não terá problema de fazer palanque com o Caiado em nenhum estado, em parceria com os nossos candidatos".
Segurança pública e gestão como bandeiras
Caiado usou os resultados de sua gestão em Goiás como principal credencial eleitoral. "Comigo bandido não se cria. Essa é a marca nossa à frente de um governo que foi aprovado por 88% da população", afirmou. Ele também citou indicadores de educação, combate à pobreza e saúde: "A melhor educação do Brasil. Um centro de excelência em inteligência artificial que hoje está entre os dez maiores do mundo. Fomos o estado que mais tirou pessoas da pobreza e da extrema pobreza". Na segurança pública, prometeu endurecer a legislação contra organizações criminosas e ampliar punições para crimes contra mulheres, estupradores, pedófilos e corruptos.
Críticas aos dois polos políticos
Embora dispute votos no campo da direita, Caiado procurou se diferenciar tanto do PT quanto do grupo de Flávio Bolsonaro. Ao ser questionado sobre a afirmação de que Flávio seria o único representante da direita, respondeu: "Quem rouba com a mão esquerda ou quem rouba com a mão direita é ladrão. Você não pode colocar alguém que tenha tanto que explicar da sua vida que não tenha tempo de defender os interesses da população". Sem citar diretamente o senador, criticou candidatos com alta rejeição: "Eleição não é de rejeitados. É de quem traz resultado para a sociedade brasileira".
Segunda tentativa ao Planalto
A eleição de 2026 marcará a segunda candidatura presidencial de Caiado. Em 1989, na primeira disputa direta após a redemocratização, obteve 0,72% dos votos válidos, ficando em décimo lugar. Desde então, acumulou cinco mandatos como deputado federal, um como senador e dois como governador de Goiás. Renunciou ao governo estadual em março de 2025 para disputar a Presidência. Na convenção, agradeceu a Kassab por abrir espaço após sua saída do União Brasil: "Não tinha partido para disputar a eleição para presidente da República. Kassab me ligou e disse: 'Você será bem recebido no PSD'. E manteve a palavra". Sem alianças nacionais e com dificuldades para consolidar apoios no campo conservador, Caiado inicia a campanha apostando em uma narrativa de direita moderada, centrada na experiência administrativa e na tentativa de ocupar o espaço entre Lula e o bolsonarismo.



