No Brasil, por definição, pauta-bomba é qualquer projeto fiscal desenvolvido no Congresso Nacional que não tem o aval do governo. Mas é curioso notar que o mesmo governo que faz alarde sobre as pautas-bomba legislativas está em modo gastança e “fazendo o diabo” para a reeleição. Somente neste ano, o pesquisador Marcos Mendes estima que a fatura já esteja na casa de R$ 200 bilhões. Praticamente todo esse montante está fora do arcabouço fiscal, driblando a principal âncora fiscal da economia. Essa conta não deveria também ser considerada como pauta-bomba? A história se repete: o lulopetismo tenta recriar a retórica de que a piora fiscal passa exclusivamente pelo Congresso, assim como Dilma Rousseff tentou culpar o Parlamento em 2015 e 2016 por causa dos déficits públicos. A verdade é teimosa e é muito difícil de batalhar contra os fatos.
Apatia ou extremismo
Ao ler o editorial “Brasília enlouqueceu”, fui levado a refletir não só sobre as conclusões apresentadas, mas também sobre as razões que nos trouxeram a este estado de permanente desorientação institucional. Parte do problema decorre da forma como sucessivos casos de corrupção, privilégios e desvios de finalidade passaram a ser tratados: com preocupante naturalidade por parcelas da mídia, da política e das próprias instituições. O resultado é uma sociedade dividida entre a apatia e o extremismo. De um lado, cidadãos que já não acreditam na possibilidade de mudança e se afastam do debate público. De outro, grupos que defendem ou atacam governos de maneira quase automática, como se a fidelidade política dispensasse a análise crítica dos fatos. Em ambos os casos, perde-se a capacidade de discutir seriamente os problemas estruturais do País. Num ambiente dominado por narrativas passionais e redes sociais, o jornalismo profissional deve se diferenciar pela insistência em pautas que exigem profundidade, persistência e independência.
Correios: o curto prazo e o futuro
O caso dos Correios é o retrato didático de como o curto prazo fiscal do controlador pode canibalizar o futuro estratégico de uma estatal. Retirar mais de R$ 2 bilhões em dividendos acima do padrão justamente no início do boom do e-commerce – momento em que a empresa mais precisava de fôlego para modernizar sua malha logística – cobrou um preço altíssimo. O resultado é o colapso projetado de -R$ 8,297 bilhões no capital circulante líquido para 2025. O paradoxo de agora precisar de R$ 12 bilhões em empréstimos garantidos pelo próprio ente que esvaziou o caixa no passado fecha um ciclo de evidente assimetria econômica. Enquanto a governança em empresas 100% públicas não contar com travas institucionais rígidas – que simulem o escrutínio e a blindagem do mercado de capitais –, o planejamento de longo prazo continuará refém das urgências orçamentárias do Tesouro de turno.
Setor elétrico: Brasília x Brasil
Não é possível que, com o desastroso modelo do setor elétrico brasileiro – que, faça sol ou chuva, é caro e pouco confiável –, o Brasil continue aceitando passivamente a concentração de poderes em Brasília. O editorial “A várzea do setor elétrico” demonstra que é impossível aperfeiçoar o setor mantendo como base o gordo e caro modelo estrutural vigente. Nos Estados Unidos, onde todo o sistema elétrico também é interligado, o comando operacional é centralizado, mas existem vários modelos setoriais, com “poderes concedentes” descentralizados, que com plena autonomia definem tarifas, concessões, fiscalizações, multas e caducidade das concessões. Como resultado, o consumidor americano desfruta de qualidade, oferta e preços por serviços incomparáveis aos oferecidos aos consumidores brasileiros. Ainda assim, apesar da modicidade das tarifas, é atrativo ao capital privado, ao contrário do brasileiro, em que só estatais estrangeiras se interessam por atuar, por objetivos não empresariais. A hora é mais do que oportuna para rediscutir o setor, mas com os governos estaduais assumindo essa discussão.
Dívida pública: entre o ideal e o real
Entre o Brasil ideal e o Brasil real, às vezes fica difícil saber em qual deles estamos vivendo. São tantos programas, financiamentos e pacotes de bondades anunciados pelo governo que já perdi a conta. Ao mesmo tempo, economistas alertam para o crescimento da dívida pública e para os riscos que isso representa para o futuro. Quando o Congresso aprova medidas que aumentam despesas, logo surgem alertas sobre rombos nas contas públicas e a necessidade de compensações. Já quando os programas são de autoria do próprio governo, a palavra “gasto” desaparece e tudo passa a ser chamado de investimento. Talvez existam explicações técnicas para cada caso, mas, para o cidadão comum, a conta parece difícil de fechar. Afinal, a responsabilidade fiscal vale para todos ou apenas para as despesas criadas pelos outros? Enquanto os gastos se multiplicam e a dívida cresce, a confiança dos brasileiros começa a naufragar. E a confiança também faz parte das contas públicas. Quando a coerência desaparece, o déficit deixa de ser apenas fiscal e passa a ser de credibilidade. No Brasil, o dinheiro público parece ter duas naturezas: quando sai do bolso do contribuinte, é investimento; quando chega a hora de prestar contas, torna-se problema.
Segundo plano
Faço aqui um desafio a quem acompanha o debate público: quando foi que vimos o clã Bolsonaro liderar uma mobilização nacional por mais investimentos em saúde, excelência na educação, combate à fome ou geração de empregos? A agenda que eles apresentam ao País ignora as urgências do povo. A energia deles parece reservada apenas para discursos sobre golpe, pedidos de anistia e exaltação da ditadura. As reais necessidades dos brasileiros ficam sempre em segundo plano.
Culpa dos eleitores
O Brasil está há quase 20 anos à deriva sob o domínio petista. A culpa é nossa, de nós, eleitores, que os mantivemos no poder durante tanto tempo. O objetivo maior do seu incontestável líder, Luiz Inácio Lula da Silva, é se manter no poder e, em sua segunda prioridade, viajar desfrutando do que há de melhor e mais caro, seja no Brasil ou no exterior. Mesmo assim, há quem o considere “pai dos pobres”. Chega de o Brasil ficar desgovernado, com receitas superavitárias, mas sempre insuficientes para cobrir as despesas com juros e uma onerosa máquina pública. Só sobram migalhas para investir ou melhorar os serviços básicos: saúde, segurança, educação e infraestrutura.
Delação de Vorcaro
O cidadão normal, que toma conhecimento somente através da mídia do que acontece no estranho mundo das investigações voltadas ao esclarecimento de grandes crimes, vê-se no limiar de uma perplexidade que tem tudo para se transformar em gargalhada nervosa. Acaba ele de ser informado do surgimento de mais um capítulo da novela sobre a delação do banqueiro Daniel Vorcaro. A Polícia Federal (PF) rejeitou a sua segunda proposta, provavelmente sob a mesma alegação que resultou na devolução da primeira: a de que ambas em nada acrescentam ao que já foi levantado pela instituição, embora a Procuradoria-Geral da República (PGR) continue as negociações. O fato é que a constrangedora situação já provoca a desconfortável sensação de que as delações estão sendo devolvidas diante da possibilidade de que fatos explosivos sejam detonados e os debris atinjam autoridades “intocáveis”. Ou será que os advogados do banqueiro não redigiram as propostas nos modelos administrativos corretos e, por isso, elas não estão sendo aceitas? É óbvio que a segunda hipótese não passa de tirada irônica, embora, aqui em Pindorama, tudo seja possível, até os fatos mais improváveis.
Caso Master
Em sua última confissão, Daniel Vorcaro passou a tratar os pagamentos a Ciro Nogueira (PP-PI) como propina. Será que agora o resto da boiada vai passar incólume?
Sistema penitenciário
Vamos aos fatos: temos no Brasil mais de 700 mil presos no sistema carcerário. Há um déficit de perto de 200 mil vagas, ainda a considerar as condições degradantes. Não se fala em adequar o sistema, mas, como em época eleitoral esse é um tema de grande apelo nacional, surgem muitos discursos para que se diminua a idade mínima para punição de criminosos a partir dos 16 anos, com o que concordo. Mas esses discursos demagógicos dos políticos ficam somente nas narrativas, sem nenhum planejamento. Vai tudo terminar na audiência de custódia, onde um bom advogado livra grande parte dos criminosos.
Generosidade
Num país generoso, o dinheiro esquecido em bancos não deveria ir para o Desenrola. Os valores deveriam ser aplicados em outras áreas, como a saúde, ou até mesmo em entidades que venham a praticar atos caridosos.
Pix
O Pix foi registrado no Instituto Nacional da Propriedade Intelectual como marca associada ao Banco Central. A medida certamente foi festejada por Lula da Silva. É bom lembrar que o Pix foi lançado oficialmente em 2020, no governo de Jair Bolsonaro e sob gestão de Roberto Campos Neto, aquele rapaz tão criticado por Lula da Silva, no Banco Central. Tendo em vista a contrariedade dos EUA contra esse sistema de pagamento eletrônico e instantâneo, o governo Lula se lança como o “pai da criança”.
Pautas-bomba
Sempre é o mesmo filme, o mesmo enredo e o mesmo final: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), libera a votação de pautas-bomba e, depois, o presidente Lula chama o presidente do Senado para uma “conversa republicana”. Ele obtém as “bondades” do presidente Lula e, em troca, coloca um freio nas medidas. Criam-se dificuldades para obter facilidades.
Donald Trump
O presidente Donald Trump havia anunciado um ataque “muito duro” ao Irã. Horas depois, surge a notícia de um “grande acordo”. A conclusão é: o presidente Trump é bipolar. Socorro!
Futuro americano
A presidência de Donald Trump termina ao fim de seu mandato. Como ficará a situação dos seus três principais assessores: o de origem cubana Marco Rubio; o denominado secretário de Guerra, nome muito apropriado para a situação atual, Pete Hegseth, que recentemente reclamou de almirantes e generais “gordos” nos corredores do Pentágono; e a porta-voz de Trump, Karoline Leavitt? Espera-se que o futuro presidente dos EUA seja uma pessoa de bom senso, preocupada em cercar-se de assessores com profunda experiência e que distribua constantemente sinais de paz a todas as nações. Qualquer presidência, de qualquer país, não é local para amadores.
Diplomacia
Não podemos negar o orgulho de ver o Brasil eleito para fazer parte do Conselho Econômico e Social da ONU. É a consolidação da nossa liderança na agenda global e o reconhecimento mundial da diplomacia brasileira na articulação de soluções para temas como a redução de desigualdades.
Espécie humana
A espécie humana surgiu no planeta Terra há mais de 100 mil anos, mas, até hoje, nações não conseguem conviver pacificamente com outras nações, nem seus povos viver em paz com outros povos. Qual é o problema da espécie humana? O que motiva tantas guerras e ódios? Falta civilização e cultura de paz e convivência entre os povos, ou é a ambição de poderosos que conduz nações à guerra?
Retrocesso
Os cartões amarelo e vermelho no futebol foram implantados pela primeira vez na Copa de 1970, com o objetivo de fazer os juízes serem entendidos pelos jogadores, já que a dificuldade de comunicação, por conta da diferença de idiomas, causou muita confusão na Copa anterior, em 1966. É estranho que a Fifa tenha determinado que, nesta Copa, certos lances sejam esclarecidos verbalmente, em inglês, para o público. O juiz Wilton Pereira Sampaio, que apitou México e África do Sul, assim como outros juízes, não tem obrigação nenhuma de dominar a língua inglesa. Explicações podem até provocar constrangimentos e virar motivo de chacota nas redes sociais, como aconteceu com Wilton. Gestuais explicativos e cartões são mais do que suficientes. Não faz sentido esse tipo de retrocesso.
Desabamento
Ponte de R$ 36 milhões desaba no Acre dois anos após inauguração. No meio do rio tinha uma ponte. Tinha uma ponte no meio do rio. Nunca me esquecerei desse acontecimento e da total irresponsabilidade que causou o desabamento.



