Juros futuros sobem com tensão política e especulações eleitorais
Juros futuros sobem com tensão política e eleições

Os juros futuros fecharam em leve alta nesta terça-feira, com a curva a termo precificando maior prêmio de risco diante do quadro político local. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2028 subiu de 13,795% para 13,83%, enquanto o DI para janeiro de 2031 avançou de 14,195% para 14,21%. O movimento ocorreu em meio a especulações sobre pesquisas eleitorais, que reacenderam a cautela dos investidores.

Recomposição de prêmios em todos os vértices

Segundo operadores, houve uma recomposição de prêmios em praticamente todos os vértices da curva a termo, refletindo a aversão a risco provocada por incertezas políticas. A alta foi mais pronunciada nos vencimentos mais longos, que são mais sensíveis a mudanças nas expectativas fiscais e políticas.

O movimento foi impulsionado por rumores sobre o cenário eleitoral e possíveis impactos na política econômica. “O mercado está reagindo a sinais de que a disputa eleitoral pode gerar ruídos na condução da política fiscal”, comentou um gestor de renda fixa, que preferiu não se identificar.

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Impacto nas expectativas de juros e inflação

A alta nos juros futuros também reflete a percepção de que o Banco Central pode precisar manter uma postura mais cautelosa no ciclo de afrouxamento monetário. Com a inflação ainda acima da meta e o cenário externo incerto, os investidores passaram a precificar uma taxa Selic terminal mais alta.

No curto prazo, os contratos com vencimento em janeiro de 2025 e 2026 mostraram estabilidade, mas os vértices intermediários e longos registraram avanço. O DI para janeiro de 2029 foi de 14,10% para 14,15%, enquanto o de janeiro de 2033 subiu de 14,30% para 14,35%.

Especulações sobre pesquisas eleitorais

As especulações sobre pesquisas eleitorais foram o principal gatilho para o ajuste nos prêmios. Investidores monitoram a possibilidade de mudanças no cenário político que possam afetar a trajetória da dívida pública e as reformas estruturais.

“A curva está embutindo um risco maior de desancoragem das expectativas fiscais, o que pressiona os juros longos”, avaliou um analista de mercado. A ausência de notícias concretas sobre o tema ampliou a volatilidade, com os negócios concentrados em ajustes de posição.

Perspectivas para os próximos dias

Para os próximos dias, a agenda econômica pode trazer novos direcionadores, com destaque para a divulgação de dados de inflação e a ata do Comitê de Política Monetária (Copom). Os investidores também acompanham o cenário externo, em especial a trajetória dos juros nos Estados Unidos.

Caso o quadro político continue gerando incertezas, a tendência é de que a curva a termo permaneça pressionada, com prêmios elevados nos vértices longos. Por outro lado, qualquer sinal de moderação no discurso político pode aliviar a pressão e levar a um fechamento da curva.

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