Guardas municipais superam Polícia Civil e se tornam 2ª maior força do Brasil
Guardas municipais superam Polícia Civil e viram 2ª força

As Guardas Municipais (GCMs) se consolidaram como a segunda maior força de segurança pública do Brasil, com 107.457 agentes em 2025, superando a Polícia Civil e ficando atrás apenas da Polícia Militar (PM). Os dados são do relatório 'Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil 2026', divulgado nesta terça-feira (4) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O efetivo das guardas cresceu 12,9% entre 2023 e 2025, saltando de 95.175 para 107.457 agentes. Atualmente, as GCMs representam 13,1% do efetivo total de segurança pública no país. Na região de Piracicaba (SP), as 18 cidades monitoradas pelo g1 somam 1.332 guardas municipais, conforme o levantamento.

Piracicaba lidera ranking regional

Piracicaba, apesar de registrar queda no efetivo na última década, lidera a lista regional com 344 guardas ativos, segundo a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), base do Ministério do Trabalho e Emprego. Em seguida, aparecem Limeira (295), Santa Bárbara d'Oeste (175), Capivari (106) e Cosmópolis (86).

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

No extremo oposto, Mombuca tem apenas 3 guardas, enquanto Ipeúna e Saltinho não possuem guardas municipais. O estado de São Paulo concentra o maior efetivo do país, com 30.184 agentes distribuídos em 222 municípios, de acordo com o Fórum.

Águas de São Pedro descumpre lei

O relatório aponta Águas de São Pedro como um dos 44 casos no Brasil que descumprem o limite legal de efetivo previsto na Lei Federal nº 13.022/2014, o Estatuto Geral das Guardas Municipais. Para municípios com até 50 mil habitantes, o limite seria de 11 guardas (0,4% da população), mas a cidade opera com 14 agentes, um excedente de três profissionais.

Ipeúna e Saltinho não aparecem na lista final de cidades com guardas em atividade. O g1 questionou as prefeituras sobre a ausência, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.

Falta de controle e mudança de atribuições

Apesar do crescimento, o estudo alerta para a falta de governança: 43,3% das corporações de guardas municipais não possuem órgãos de controle interno, como corregedoria ou ouvidoria. O documento expressa preocupação com o uso da força, especialmente em municípios que optaram pela armamentização.

'O risco maior não consiste no fortalecimento das guardas em si, mas na reprodução, em escala municipal e multiplicada por mais de mil e quinhentas corporações autônomas, do modelo profissional reativo e bélico que três décadas de pesquisa em segurança pública identificaram como o cerne das patologias institucionais das polícias estaduais brasileiras', escreve o relatório.

O estudo também destaca uma mudança nas atribuições das guardas, que deixaram de proteger apenas prédios e bens públicos para atuar no policiamento comunitário e na segurança urbana, impulsionadas por decisões judiciais, mudanças legislativas e pressões sociais.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar