Guerra no STF: Gilmar Mendes critica colegas e escancara divisão na corte
Guerra no STF: Gilmar critica colegas e escancara divisão

A guerra no Supremo Tribunal Federal (STF) agora é declarada. A entrevista do ministro Gilmar Mendes ao programa "Roda Viva", exibida na noite de segunda-feira (22), escancarou as divisões internas na corte e a tensão provocada pelo caso Master, que envolve investigações sobre supostas fraudes em precatórios e tem gerado embates entre os magistrados.

Críticas diretas a colegas

Gilmar Mendes não poupou críticas a seus pares. O ministro apontou erros na condução do caso pelo relator, André Mendonça, e fez referências a Edson Fachin e Cármen Lúcia, que teriam, segundo ele, adotado posturas que remetem ao que chamou de "fantasma do lava-jatismo" — uma referência à operação Lava Jato, que ele considera ter sido marcada por abusos. O principal alvo, no entanto, foi André Mendonça, que ganhou destaque no tribunal ao assumir a relatoria do caso Master.

Tensão e acusações

As tensões cresceram com acusações de Gilmar sobre a condução de Mendonça no caso. Segundo o decano, o relator teria cometido erros que poderiam comprometer a imparcialidade do processo. "Há um certo despreparo e uma pressa em julgar que lembram os piores momentos do lavajatismo", afirmou Gilmar, em um trecho da entrevista. A declaração gerou reações imediatas nos bastidores do STF, com ministros aliados de Mendonça rebatendo as críticas de forma reservada.

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Impacto político e cautela

Observadores do tribunal temem que os desfechos dos casos Master e INSS — este último envolvendo revisão de benefícios previdenciários — possam influenciar politicamente o cenário nacional. A expectativa é que os ministros adotem uma postura mais cautelosa diante das repercussões. "A situação é delicada. O STF está sob forte pressão e qualquer decisão pode ser interpretada como política", avaliou um analista jurídico ouvido pela coluna.

O caso Master, que investiga um suposto esquema de fraudes em precatórios, já levou à prisão de advogados e empresários, e tem desdobramentos que atingem figuras políticas. A divisão no STF, agora pública, levanta questionamentos sobre a capacidade da corte de manter a coesão interna em temas sensíveis.

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