O ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, confirmou nesta segunda-feira (3) que recebeu valores da empresária e lobista Roberta Luchsinger, personagem investigada no caso das fraudes no INSS. Em nota enviada à imprensa, Marcola afirmou que os recursos correspondiam a um empréstimo pessoal já quitado e negou qualquer irregularidade.
“Recebi com surpresa a matéria que trata um empréstimo pessoal contraído e já quitado como algo ilegal. Nunca tive nenhuma relação que caracterize qualquer ilegalidade no exercício de minha função”, declarou.
Saída do cargo e valores repassados
Marcola deixou o cargo no último dia 31 de julho, após atuar durante praticamente todo o terceiro mandato de Lula como chefe de gabinete da Presidência. Homem de confiança do presidente, era responsável pela coordenação da agenda presidencial e pelo atendimento direto das demandas encaminhadas ao chefe do Executivo.
O valor das transferências não foi informado pelo ex-assessor. O Poder360 apurou, com pessoas que acompanham o caso, que os pagamentos teriam girado em torno de R$ 80 mil, embora o montante e a frequência das operações não tenham sido oficialmente confirmados.
Contexto de investigações e impacto político
O episódio ocorre em um momento delicado para o Palácio do Planalto. Nos últimos dias, o noticiário político passou a ser ocupado por investigações que atingem pessoas próximas ao presidente, incluindo a abertura de um inquérito para apurar suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Embora Marcola não seja investigado no caso das fraudes do INSS, a ligação financeira com Roberta Luchsinger amplia o desgaste político para o governo.
A empresária prestou serviços para o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado pela Polícia Federal como um dos operadores centrais do esquema de descontos irregulares em benefícios previdenciários e preso desde setembro de 2025.
Repercussão na campanha eleitoral
Nos bastidores da campanha, o receio é que novos episódios relacionados ao tema da corrupção reforcem a estratégia da oposição de recolocar esse assunto no centro da disputa presidencial, justamente quando o PT tenta concentrar a campanha em economia, programas sociais e na melhora recente dos indicadores de popularidade do presidente.



