Evangélicos se sentem discriminados nas redes, aponta análise
Evangélicos se sentem discriminados nas redes

Uma análise inédita do Monitor do Debate Político, da USP, revela que evangélicos demonstram, nas redes sociais, sentir-se discriminados. O estudo, que acompanhou milhões de postagens entre 2020 e 2026, identificou um aumento significativo de relatos de preconceito religioso, especialmente após eventos políticos de grande repercussão.

Metodologia e principais resultados

Os pesquisadores analisaram publicações em plataformas como Twitter, Facebook e Instagram, utilizando técnicas de processamento de linguagem natural para identificar termos associados à discriminação. Foram mapeadas mais de 2,5 milhões de menções relacionadas à comunidade evangélica, das quais cerca de 18% continham queixas de tratamento desigual ou hostilidade.

O levantamento mostra que os picos de sentimento de discriminação coincidem com momentos de polarização política, como as eleições de 2022 e os atos de 8 de janeiro de 2023. Segundo os autores, a associação automática entre fé e posicionamento político tem intensificado a percepção de exclusão.

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Contexto e reações

Para a socióloga Camila Rocha, coordenadora do Monitor, os dados refletem um fenômeno mais amplo: "A fé evangélica passou a ser vista, por parte da opinião pública, como um marcador político, o que gera reações de estigmatização e, consequentemente, um sentimento de perseguição entre os fiéis". Ela ressalta que a discriminação relatada nem sempre parte de grupos secularistas, mas também de outros segmentos religiosos.

Líderes evangélicos, como o pastor Silas Malafaia, já haviam mencionado publicamente essa percepção, mas agora os dados empíricos dão sustentação ao argumento. "É a confirmação do que sentimos na pele", disse Malafaia em entrevista à rádio. "Somos um dos grupos que mais crescem no país, mas também um dos mais atacados."

Impacto e próximos passos

A pesquisa sugere que o fenômeno pode influenciar o comportamento eleitoral, já que a sensação de perseguição tende a fortalecer a coesão interna do grupo. Os pesquisadores pretendem ampliar o estudo para outras plataformas e incluir análises regionais, a fim de verificar se a discriminação é mais intensa em determinadas áreas do país.

Especialistas ouvidos pelo Valor alertam que o debate sobre discriminação religiosa precisa ser conduzido com cuidado, evitando vitimização ou banalização. "O importante é que os dados ajudem a qualificar a discussão, sem alimentar radicalismos", pondera a cientista política Juliana Nunes.

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