ASA vê eleição como fator-chave e recomenda diversificação no 2º semestre
Eleição é fator-chave para mercados, diz ASA

A equipe do ASA, instituição financeira fundada por Alberto J. Safra, avalia que o cenário local, especialmente a indefinição da eleição presidencial, deve ser determinante para os mercados e para os investimentos neste segundo semestre. Diante da incerteza com a política econômica nos próximos quatro anos, o ASA está recomendando aos clientes reforçar a proteção das carteiras sem abrir totalmente mão das oportunidades, enquanto vê espaço para mais ganhos nas bolsas e na renda fixa americanas.

Evitar 'cascas de banana' e proteger o patrimônio

O mais importante no momento é evitar as “cascas de banana” dos mercados e proteger o patrimônio, sem tentar adivinhar exatamente quem serão os ganhadores, e buscando reduzir o risco com diversificação, diz Rogério Freitas, head de investimentos locais do ASA. Em caso de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que favoreceria o crescimento da dívida pública e juros mais altos, o investidor precisa estar no Ibovespa, que tem forte peso de commodities, que não dependem da economia local, e de bancos, que são rentáveis em qualquer ambiente, diz Freitas. O cenário também beneficiaria fundos que seguem o índice, que também se sairiam bem com a eventual volta do investidor estrangeiro, como ocorreu no início do ano. “No Ibovespa o investidor está mais protegido e o índice tende a performar melhor que os gestores de fundos ativos nesse cenário”, diz.

Cenário de política fiscal disciplinada e small caps

Já se o próximo presidente trouxer uma política fiscal mais disciplinada, abrindo espaço para juros básicos mais baixos, a gestão ativa e setores ligados ao crescimento do país, como pequenas empresas, as small caps, e mesmo empresas estatais, podem performar bem. “É difícil tomar decisão assim, no cara ou coroa, com cenários tão diferentes, então estamos fazendo o básico, recomendando um mix, com um pouco mais de gestão passiva, em índice, e alguns gestores de ações ativos”, explica Freitas.

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Setores defensivos e empresas pagadoras de dividendos

Ele cita ainda setores defensivos na bolsa, que mesmo em um ambiente de juros altos podem ser rentáveis. “Se tivermos continuidade desse ambiente e da política econômica atual, as melhores ações serão de empresas pagadoras de dividendos, com ciclo de vida mais maduro, contratos de longo prazo, com receitas previsíveis”, diz. Já no caso de uma mudança de política econômica, empresas de crescimento, em início do ciclo de investimento, devem ser mais beneficiadas. “Hoje nosso cenário da eleição é muito 50%-50%, então na dúvida, coloca um pouco dos dois tipos de empresas”, afirma Freitas.

Renda fixa: inflação e isentos

Na renda fixa, Freitas diz que gosta de títulos indexados à inflação, tanto do governo (NTN-Bs), quanto isentos de empresas privadas, “desde que com classificação quatro As, não apenas três As”, reforçando a cautela com o risco de crédito, que vem crescendo. “Nas NTN-Bs, preferimos os títulos de prazo médio, perto dos seis anos, já que os mais curtos são mais sensíveis à inflação e os mais longos estão sujeitos à preocupação com o cenário fiscal”, diz. Assim, o investidor diminui o risco do reinvestimento dos prazos muito curtos e, se houver uma crise fiscal que eleve ainda mais os juros reais, o impacto da precificação diária será menor do que nos papéis muito longos.

Crédito mais arriscado e seletividade

No crédito, o mercado ficou muito mais arriscado diante das dificuldades de várias empresas com o juro alto, explica Freitas. Assim, o ASA ficou mais seletivo na seleção de papéis emitidos pelas companhias. “Nosso processo de análise de crédito é um dos melhores do mercado, o Alberto (Safra, fundador do ASA) participa dos comitês e é preciso consenso para aprovar”, afirma. Além da empresa, o ASA consulta clientes e fornecedores para reforçar a avaliação do devedor. “Nessa conjuntura mais arriscada e com dois cenários diferentes possíveis, é preciso ser mais conservador e seletivo na alocação de renda fixa”, reforça Freitas.

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Mercado internacional: juros americanos e IA

No mercado internacional, os juros dos títulos do Tesouro americano começam a ficar atrativos e o ASA deve aumentar em breve as posições nesses papéis, diz Charles Ferraz, head global de investimentos. A casa começa a gostar mais da aplicação no nível atual de 4,5% ao ano, e com o Federal Reserve (banco central americano) mostrando uma postura mais dura contra a inflação. Ferraz vê também oportunidades em fundos de crédito privado após uma onda de resgates. “Essa confusão, esse pânico, criou oportunidades”, diz. Já os títulos privados não estão tão convidativos porque os spreads (diferencial) estão muito baixos.

Sem bolha de IA e riscos macro

Nas bolsas americanas, Ferraz diz que não vê uma bolha de inteligência artificial e lembra que as empresas estão só agora começando a tomar empréstimos para financiar os investimentos. “Não é algo que preocupa e vemos um impacto positivo nas economias, com esses investimentos irrigando o sistema como um todo, se espalhando por datacenters, energia, infraestrutura e matérias-primas como cobre”, diz. A estratégia do ASA é manter um portfólio diversificado, que vai se beneficiar da onda da IA, mas sem definir uma empresa ou outra apenas. “Até as pequenas empresas, as small caps, estão começando a se beneficiar”, observa. O maior risco para os mercados é macro, avalia Ferraz, com o crescimento do endividamento americano levando o governo a disputar recursos com o setor privado. “Em algum momento o mercado vai precificar essa competição e a história mostra que o governo ganha [a disputa], e os juros podem subir, mas por enquanto nossa visão é otimista”, diz.