Convenções: Lula sai fortalecido, Flávio enfrenta indefinições
Convenções: Lula sai fortalecido, Flávio enfrenta indefinições

As convenções partidárias para as eleições deste ano chegam ao fim nesta quarta-feira, 5, com um saldo que, na avaliação do cientista político Marco Antonio Teixeira, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), é claramente favorável à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Enquanto a chapa de Lula demonstrou união e definição, a de Flávio Bolsonaro (PL) ainda enfrenta indefinições sobre o vice e viu a participação do presidente argentino Javier Milei mais atrapalhar do que ajudar.

Lula: união e estratégia definida

Para Teixeira, a convenção do PT foi a mais positiva entre os principais candidatos. “Olhando politicamente e comparando com a convenção do principal adversário (Flávio Bolsonaro), é o saldo mais positivo porque já tem a chapa pronta. Dessa vez, Lula conseguiu unir a esquerda e ainda fez com que o PT abrisse mão de candidaturas em estados-chave em prol de uma aliança. Do ponto de vista da eleição nacional, é importante porque mostra um discurso homogêneo”, afirma.

A estratégia de Lula, segundo o professor, foi capaz de consolidar apoios e apresentar um projeto claro, o que contrasta com a situação do adversário. A definição da chapa e o alinhamento dos partidos aliados são vistos como trunfos para a campanha petista nas próximas semanas.

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Flávio Bolsonaro: indefinições e efeito Milei

Já a convenção do PL, realizada com a presença de Javier Milei, não trouxe os resultados esperados. “A participação do Milei mais criou problema do que ajudou, porque ele enfrenta uma rejeição justamente no segmento que é mais moderado e que está buscando um Flávio mais equilibrado. Mas talvez o pior para ele sejam as indefinições”, explica Teixeira.

Até esta terça-feira, 4, Flávio ainda não havia definido quem ocupará o posto de vice em sua chapa, uma lacuna que pode comprometer a arrancada da campanha. A ausência de uma definição clara gera incertezas e pode afetar a confiança de eleitores e aliados.

Os fantasmas de Lula e Flávio

Além das questões políticas, pairam sobre as duas campanhas problemas judiciais. Flávio é investigado por eventuais irregularidades em repasses de Daniel Vorcaro para o financiamento do filme Dark Horse, enquanto Fábio Luís Lula da Silva, filho de Lula, conhecido como Lulinha, é alvo de inquérito por tráfico de influência e corrupção em negociações para a comercialização de cannabis medicinal com o Ministério da Saúde.

As defesas de ambos negam irregularidades, mas o impacto desses problemas é assimétrico. “O efeito surpresa talvez possa prejudicar mais o Flávio do que o Lula, porque o Lulinha já estava ‘precificado’ pela campanha. Pode arranhar, mas ninguém sabe o que pode vir sobre a campanha do Flávio”, analisa Teixeira.

Outras chapas: sem novidades e com desafios

Entre os demais candidatos, as convenções não trouxeram grandes novidades. Ronaldo Caiado (PSD) repetiu a estratégia da pré-campanha, com ataques a Lula e Flávio, exaltação de sua gestão em Goiás e foco em segurança pública. Sua chapa terá Gilberto Kassab (PSD) como vice.

Renan Santos (Missão) anunciou o tenente-coronel da reserva Aroldo Medina (Missão) como vice, mas, segundo Teixeira, não deve furar a bolha. “Renan está falando para quem já o conhece. Ele não deve furar a bolha. (Romeu) Zema é (um caso) curioso: é bem avaliado, mas não consegue transferir votos nem para o vice-governador (Mateus Simões)”, afirma.

Esses candidatos, apesar de terem definições, enfrentam o desafio de ampliar sua base de apoio, especialmente em um cenário polarizado entre Lula e Flávio.

Impacto nas eleições

O saldo das convenções indica que a campanha de Lula entra na reta final com mais coesão, enquanto Flávio precisa resolver rapidamente suas pendências. A indefinição do vice e o efeito negativo de Milei podem ser fatores decisivos na disputa.

Com as convenções encerradas, as atenções se voltam para o registro das candidaturas e o início oficial da propaganda eleitoral. A movimentação das próximas semanas será crucial para consolidar alianças e conquistar eleitores indecisos.

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