Confortável com o desconforto: como líderes prosperam na incerteza
Confortável com o desconforto: lições de liderança

Uma pesquisa recente conduzida pela consultoria global McKinsey & Company, divulgada em julho de 2026, revelou que executivos que se sentem confortáveis em situações de incerteza tomam decisões 30% mais rapidamente e lideram equipes com 25% mais inovação. O estudo, que ouviu 1.500 líderes empresariais em 12 países, incluindo o Brasil, aponta que a capacidade de lidar com o desconforto é a competência mais valorizada no ambiente corporativo atual.

O que significa estar confortável com o desconforto

Segundo a especialista em liderança e autora do best-seller "A Coragem de Liderar", Brené Brown, estar confortável com o desconforto não é simplesmente tolerar a ansiedade, mas sim "desenvolver a coragem de permanecer presente em situações de vulnerabilidade, sem fugir para respostas fáceis". No contexto corporativo, isso se traduz na capacidade de tomar decisões com informações incompletas, de dar feedback difícil e de abraçar mudanças constantes.

O executivo brasileiro Carlos Alberto de Oliveira, CEO da startup de tecnologia Nubank, em entrevista ao jornal Valor Econômico, afirmou: "A incerteza é o novo normal. Quem não se sentir confortável com ela não vai sobreviver. Nós aqui na Nubank incentivamos nossos líderes a experimentar, errar rápido e aprender. Isso exige uma mentalidade de crescimento constante."

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Como desenvolver essa habilidade

Especialistas apontam que a habilidade de estar confortável com o desconforto pode ser desenvolvida por meio de práticas específicas. A primeira é a exposição gradual a situações de incerteza, como assumir projetos desafiadores ou participar de negociações complexas. A segunda é a prática da atenção plena (mindfulness), que ajuda a regular as emoções em momentos de estresse.

Além disso, a psicóloga organizacional Maria Fernanda Santos, da Fundação Getulio Vargas (FGV), sugere que líderes devem criar "espaços seguros" para que suas equipes também possam se sentir confortáveis em expressar dúvidas e opiniões divergentes. "Quando o líder demonstra que aceita o erro como parte do processo, ele incentiva a inovação", explica.

O impacto na tomada de decisão

O estudo da McKinsey também mostrou que líderes confortáveis com o desconforto tendem a tomar decisões mais ágeis, evitando a paralisia por análise. Isso é particularmente relevante em setores como tecnologia e finanças, onde a velocidade é crucial. No Brasil, empresas como a Magazine Luiza e a Ambev já adotaram programas de desenvolvimento de liderança focados nessa competência.

Em uma pesquisa interna da Ambev, 80% dos líderes que participaram do programa de treinamento em resiliência relataram melhora na capacidade de lidar com crises. A empresa também registrou um aumento de 15% na satisfação dos funcionários nos times liderados por esses gestores.

Desafios e riscos

Apesar dos benefícios, estar confortável com o desconforto não significa ser imprudente. Especialistas alertam que é preciso equilibrar a aceitação da incerteza com a análise de riscos. "Não se trata de agir sem pensar, mas de pensar de forma mais flexível", ressalta o professor de estratégia da USP, Ricardo Lima.

Outro desafio é evitar o esgotamento. Viver em constante estado de alerta pode levar ao estresse crônico. Por isso, a recomendação é que líderes busquem apoio de mentores e coaches, além de manterem uma rotina de autocuidado.

O futuro da liderança

Com o avanço da inteligência artificial e a aceleração das transformações digitais, a tendência é que a incerteza aumente ainda mais. Portanto, desenvolver a habilidade de estar confortável com o desconforto será essencial para qualquer profissional que aspire a posições de liderança. As escolas de negócios já estão adaptando seus currículos para incluir disciplinas sobre gestão da ambiguidade e resiliência.

No Brasil, a Fundação Dom Cabral lançou, em 2026, um curso executivo intitulado "Liderança na Era da Incerteza", que já formou mais de 500 executivos. Segundo a coordenadora do curso, professora Ana Beatriz Costa, "os participantes saem com uma nova perspectiva sobre o risco e a mudança, e muitos relatam que se tornaram mais confiantes em suas decisões".

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Em suma, estar confortável com o desconforto é mais do que uma habilidade de gestão: é uma filosofia de vida que permite enfrentar os desafios com coragem e resiliência, tanto no âmbito profissional quanto pessoal.