Aécio Neves desiste de candidatura ao Senado por MG
Aécio desiste de candidatura ao Senado por MG

O ex-governador de Minas Gerais e ex-presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, anunciou nesta terça-feira (4) sua desistência da candidatura ao Senado Federal pelo estado. A decisão, comunicada em nota oficial, surpreende o cenário político mineiro e reconfigura as alianças para as eleições de 2026.

Motivos da desistência

Em comunicado, Aécio Neves afirmou que a decisão foi tomada após "avaliação criteriosa do cenário político" e que pretende "dedicar-se a fortalecer o projeto do partido em Minas Gerais e no Brasil". Ele não citou motivos específicos, mas fontes ligadas ao PSDB indicam que a baixa popularidade e as dificuldades de articulação com a base aliada influenciaram na escolha.

A desistência ocorre em meio a um cenário de reorganização do PSDB, que busca se reposicionar após os resultados das últimas eleições. Aécio, que já foi senador por dois mandatos e governador do estado, era considerado um dos principais nomes do partido para a disputa.

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Impacto na política mineira

A saída de Aécio da disputa abre espaço para outros nomes, tanto dentro do PSDB quanto em partidos aliados. O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), por exemplo, que também é cotado para a reeleição, pode ganhar mais força. Já o governador Romeu Zema (Novo), que busca consolidar sua base, pode ter mais facilidade para articular sua chapa.

Analistas políticos destacam que a desistência de Aécio pode reduzir a polarização no estado e facilitar acordos entre diferentes legendas. "A saída de Aécio pode ser vista como um gesto de maturidade política, mas também reflete a dificuldade de renovação do PSDB", avaliou o cientista político Carlos Melo, do Insper.

Reações e próximos passos

Em nota, o PSDB mineiro lamentou a decisão, mas afirmou que respeita a escolha do ex-governador. O partido deve anunciar nos próximos dias o novo nome para a disputa ao Senado. Entre os cotados estão o deputado federal Paulo Abi-Ackel e o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (que não é filiado ao PSDB, mas tem diálogo com a legenda).

Aécio Neves, por sua vez, reforçou que continuará atuando nos bastidores e que pretende "contribuir com a construção de um projeto nacional para o partido". Ele também mencionou a possibilidade de apoiar candidaturas do PSDB em outros estados.

Histórico e desafios

Aécio Neves, de 66 anos, tem uma longa trajetória na política brasileira. Foi governador de Minas Gerais entre 2003 e 2010, senador entre 2011 e 2019, e presidente nacional do PSDB. Em 2014, foi candidato à Presidência da República, sendo derrotado por Dilma Rousseff no segundo turno.

Nos últimos anos, sua imagem foi afetada por investigações da Operação Lava Jato, embora ele nunca tenha sido condenado. Em 2022, ele foi eleito deputado federal, mas anunciou que não disputaria a reeleição para se dedicar à campanha ao Senado.

Com a desistência, o PSDB enfrenta o desafio de encontrar um nome competitivo para a vaga. Pesquisas recentes indicavam que Aécio tinha entre 8% e 10% das intenções de voto, atrás de outros pré-candidatos. A decisão pode alterar o equilíbrio de forças no estado, que é um dos maiores colégios eleitorais do país.

Contexto nacional

No cenário nacional, a desistência de Aécio ocorre em um momento de fragilidade do PSDB, que busca se reerguer após a saída de vários quadros históricos. A legenda, que já foi uma das mais importantes do país, hoje enfrenta dificuldades para manter sua relevância.

Especialistas apontam que a decisão de Aécio pode ser um sinal de que o partido está disposto a renovar seus quadros e buscar novas lideranças. "O PSDB precisa urgentemente de uma renovação. A saída de Aécio pode ser o início desse processo", disse o professor de ciência política da UFMG, Ricardo Fabrino.

As eleições de 2026 estão marcadas para outubro, e os partidos têm até agosto para registrar as candidaturas. A desistência de Aécio deve ser oficializada na convenção do PSDB, marcada para o dia 20 de agosto.

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