O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, disse nesta quinta-feira, 23, que a situação no Oriente Médio “está saindo do controle” e “oscilando à beira do inimaginável”, mas ressaltou que as divisões geopolíticas não são motivo para “inação ou omissão”.
Discurso no Conselho de Segurança
Ao discursar no Conselho de Segurança das Nações Unidas, o secretário-geral afirmou que “os conflitos estão aumentando em número, complexidade, duração e alcance”, com maior desrespeito ao direito internacional, impunidade e violações ficando sem resposta.
“O Oriente Médio está sendo puxado para um círculo de confrontação cada vez mais amplo. Uma crise alimenta a outra. Uma escalada desencadeia a seguinte”, disse Guterres, acrescentando que “à medida que essa dinâmica se espalha, os objetivos políticos ficam cada vez mais obscurecidos pelo próprio confronto”.
Reconhecimento à mediação do Paquistão
Guterres elogiou a iniciativa do Paquistão para fortalecer mecanismos de solução pacífica de controvérsias, dizendo que a medida é particularmente importante num momento em que conflitos se intensificam no Oriente Médio e em outras regiões. “Quero reconhecer a mediação do Paquistão e de países da região que trabalham para reduzir tensões e criar espaço para o diálogo”, afirmou.
Contexto regional
As declarações ocorrem em meio a tensões elevadas na região, com o Irã sendo alvo de sanções dos EUA e o barril de petróleo atingindo US$ 100. O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Ghalibaf, ironizou os EUA nas redes sociais: “Eles queriam punir o Irã. Em vez disso, se puniram com o petróleo a preços exorbitantes. Estratégia nota 10/10”.
Paralelamente, a Câmara dos EUA aprovou uma moção para impedir uma guerra contra o Irã, em nova repreensão ao então presidente Donald Trump. A votação foi de 214 a 208 a favor da resolução sobre poderes de guerra.
Apelo à ação
Guterres concluiu seu discurso instando os membros do Conselho de Segurança a agirem, apesar das divisões geopolíticas. “Não podemos permitir que as divisões nos paralisem. A inação ou omissão não são opções aceitáveis quando vidas estão em jogo e a paz mundial está ameaçada”, enfatizou.



