Os Estados Unidos concluíram na madrugada deste sábado (24) a 13ª noite consecutiva de ataques contra o Irã, em uma das mais longas ofensivas aéreas desde o início do conflito. A ação, que começou em 12 de julho, visa destruir capacidades militares e de mísseis do país persa, além de pressionar Teerã a abandonar seu programa nuclear.
Detalhes dos ataques
Segundo o Comando Central dos EUA (CENTCOM), os bombardeios noturnos atingiram 15 alvos, incluindo bases de lançamento de mísseis balísticos, depósitos de combustível e centros de comando da Guarda Revolucionária Iraniana. A operação envolveu caças F-35 e bombardeiros B-52, com apoio de drones armados. Não houve baixas americanas reportadas, mas o CENTCOM afirmou que todos os alvos foram destruídos com sucesso.
O Pentágono informou que a ofensiva continuará até que o Irã aceite negociar o fim de seu programa de enriquecimento de urânio. "Estamos determinados a impedir que o Irã adquira armas nucleares", disse o secretário de Defesa, Lloyd Austin, em comunicado. "Cada noite de ataques reduz a capacidade do regime de ameaçar a região e o mundo."
Impacto no Irã
Autoridades iranianas relataram danos significativos em instalações militares nas províncias de Isfahan, Shiraz e Khuzistão. A agência de notícias estatal IRNA confirmou que "vários alvos foram atingidos", mas minimizou as perdas, afirmando que a defesa aérea iraniana interceptou a maioria dos mísseis. O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou os ataques como "uma violação flagrante do direito internacional" e prometeu retaliação.
Analistas apontam que a campanha aérea já destruiu cerca de 30% da infraestrutura de mísseis de longo alcance do Irã, de acordo com estimativas do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS). No entanto, especialistas alertam que o programa nuclear iraniano, disperso em instalações subterrâneas, pode ser mais difícil de erradicar apenas com bombardeios.
Reações internacionais
A União Europeia pediu moderação de ambos os lados, enquanto a Rússia e a China criticaram os EUA por escalar o conflito. O secretário-geral da ONU, António Guterres, convocou um cessar-fogo imediato e negociações diplomáticas. Em contrapartida, Israel e Arábia Saudita expressaram apoio à ofensiva americana, vendo-a como necessária para conter a influência iraniana.
Os ataques ocorrem em meio a tensões elevadas no Golfo Pérsico, com o Irã ameaçando fechar o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. O preço do barril de petróleo Brent subiu 4% nesta semana, refletindo o temor de interrupções no fornecimento.
Próximos passos
O presidente dos EUA, Joe Biden, afirmou que a campanha militar continuará "pelo tempo que for necessário" para garantir a segurança dos aliados regionais e evitar que o Irã desenvolva uma bomba nuclear. Enquanto isso, Teerã convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para denunciar a agressão, mas analistas duvidam que haja consenso para uma resolução condenatória.
A 13ª noite de ataques marca um novo capítulo no confronto entre as duas nações, que já dura décadas. Com a diplomacia estagnada e a violência em ascensão, o cenário no Oriente Médio permanece incerto.



