EUA bombardeiam Irã pela 7ª noite seguida; Irã retalia em bases no Bahrein, Kuwait e Jordânia
EUA bombardeiam Irã pela 7ª noite; Irã retalia em bases

Os Estados Unidos realizaram na noite desta sexta-feira (17) a sétima noite consecutiva de bombardeios contra o Irã, mirando alvos militares e de infraestrutura no país. Em resposta, o Irã lançou ataques contra bases militares no Bahrein, no Kuwait e na Jordânia, elevando ainda mais a tensão no Oriente Médio.

Bombardeios americanos

De acordo com o Comando Central dos EUA (CENTCOM), os bombardeios desta noite atingiram instalações da Guarda Revolucionária Iraniana, incluindo centros de comando, depósitos de mísseis e drones, além de infraestrutura de energia utilizada para fins militares. “Continuamos a degradar a capacidade do Irã de atacar nossos aliados e forças na região”, afirmou o porta-voz do CENTCOM, coronel Joe Buccino, em comunicado oficial.

Imagens da televisão estatal iraniana mostraram uma ponte destruída em Bandar Khamir, próximo ao Estreito de Ormuz, supostamente atingida por um ataque americano. Autoridades locais relataram ao menos 12 mortos e 30 feridos nos bombardeios das últimas 24 horas, elevando para mais de 200 o número de vítimas fatais desde o início da campanha aérea.

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Retaliação iraniana

Em retaliação, o Irã atacou bases militares no Bahrein, Kuwait e Jordânia com mísseis balísticos e drones. O Ministério da Defesa do Bahrein confirmou que uma base naval foi atingida, causando danos materiais, mas sem vítimas. No Kuwait, um míssil caiu em área desabitada perto de uma base aérea. Na Jordânia, fontes militares informaram que sistemas de defesa aérea interceptaram a maioria dos projéteis, mas um atingiu um armazém de munições, provocando explosões secundárias.

O porta-voz da Guarda Revolucionária Iraniana, general Ramezan Sharif, declarou: “A resposta do Irã será firme e proporcional. Enquanto os EUA continuarem sua agressão, nossas forças atingirão seus interesses e aliados em toda a região.”

Escalada após fracasso de acordo

A escalada militar ocorre um mês após o colapso das negociações de paz mediadas por Catar e Omã. O acordo, que previa a suspensão de sanções em troca de limites ao programa nuclear iraniano, foi rejeitado pelo parlamento iraniano e criticado por facções linha-dura nos EUA.

Analistas apontam que a atual campanha de bombardeios é a mais intensa desde a invasão do Iraque em 2003. “Estamos vendo um padrão de escalada que pode sair do controle”, avaliou o professor de Relações Internacionais da Universidade de Teerã, Mohammad Marandi, em entrevista à agência local ISNA.

Impacto no Estreito de Ormuz

A Guarda Revolucionária Iraniana também intensificou suas operações no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. No sábado (18), forças iranianas detiveram dois navios petroleiros de bandeira liberiana sob a alegação de que estavam transportando combustível para bases americanas. Os EUA negaram as acusações e classificaram as detenções como “pirataria”.

O preço do barril de petróleo Brent subiu 4% nesta semana, refletindo o temor de interrupção no fornecimento. A Arábia Saudita já anunciou que aumentará sua produção para compensar possíveis perdas, mas a capacidade ociosa do reino é limitada.

Reação internacional

A ONU convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança para segunda-feira (20). O secretário-geral, António Guterres, pediu “moderação máxima” e alertou para o risco de uma “guerra regional de proporções catastróficas”. A União Europeia, por sua vez, anunciou o envio de uma missão diplomática a Teerã e Washington para tentar mediar um cessar-fogo.

Enquanto isso, a população civil iraniana sofre com os cortes de energia e escassez de água potável causados pelos bombardeios. Hospitais relataram dificuldades para atender os feridos devido à falta de eletricidade e suprimentos médicos.

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