Michelin lança selo de vinícolas com Borgonha no topo
Michelin lança selo de vinícolas com Borgonha no topo

O guia Michelin, referência mundial na avaliação de restaurantes, deu um passo inédito ao lançar sua primeira seleção de vinícolas, o Michelin Grape Selection. A cerimônia de estreia ocorreu no início de julho no Palais des Ducs, em Dijon, na Borgonha, e contou com a presença de grandes nomes do vinho local, como Lalou Bise-Leroy, a maior figura feminina da região.

Nove vinícolas recebem a nota máxima de três uvas

Das 95 vinícolas destacadas, nove receberam três uvas, a pontuação máxima. Entre elas estão a Domaine Leroy e a Domaine d’Auvenay, ambas de Lalou Bise-Leroy, além da lendária Domaine de la Romanée-Conti, Cécile Tremblay, Dugat-Py, Roumier, Coche-Dury, Jean-Marc & Thomas Bouley e Hubert Lamy. Cinco vinícolas estão na Côte de Nuit e quatro na Côte de Beaune, que juntas formam a Côte D'Or.

O guia também concedeu duas uvas para 20 vinícolas e uma uva para 33. Outras 32 foram classificadas como empresas consistentes e confiáveis, produtoras de vinhos de alta qualidade. A premiação é destinada à vinícola como um todo, não a vinhos específicos.

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Polêmica: Domaine Arnoux-Lachaux pede exclusão

Após o anúncio, a Domaine Arnoux-Lachaux, de Vosne-Romanée, solicitou a retirada de seu nome da seleção. A vinícola alegou discordar do modelo de avaliação, que considera similar ao usado para gastronomia e turismo. Desde 2020, a Arnoux-Lachaux não submete seus rótulos a nenhuma avaliação externa.

Estratégia do Michelin para o mundo dos vinhos

O Michelin Grape Selection é mais um movimento do guia no universo vinícola. Em 2019, o Michelin adquiriu a totalidade da The Wine Advocate, publicação fundada por Robert Parker. Antes, em 2017, já havia comprado 40% da empresa. O guia também passou a premiar sommeliers em suas cerimônias anuais de estrelas.

Brasil: sommelier do Maní é premiado em 2026

No Brasil, a premiação de sommeliers já ocorre há três edições. Em 2024, Maíra Freire, do Lasai (Rio de Janeiro), foi a melhor sommelière; em 2025, Marcelo Fonseca, do Evvai (São Paulo); e em 2026, Robério de Sousa Queiróz, do Maní (São Paulo), recebeu o título.

Gwendal Poullennec, diretor internacional do guia, destacou em discurso as características únicas da Borgonha: “Embora a região continue sendo uma das mais estruturadas do mundo, pela sua hierarquia de terroirs, nossa seleção demonstra que a excelência não se define apenas pelo prestígio de um nome, mas se expressa pela precisão do trabalho tanto no vinhedo como na vinícola, e pela personalidade que cada viticultor imprime à sua propriedade em busca pela qualidade”.

Próximo passo: Bordeaux

O próximo alvo do Michelin Grape Selection deve ser a região de Bordeaux. Resta saber se as maiores notas irão para os premiers grands crus classés ou se haverá surpresas.

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