Mercado pet na China triplica e movimenta R$ 240 bilhões por ano
Mercado pet na China triplica e movimenta R$ 240 bi

O mercado pet na China triplicou nos últimos dez anos e movimenta o equivalente a R$ 240 bilhões por ano, refletindo uma transformação na relação dos chineses com os animais de estimação. Em Xangai, uma ilha foi criada exclusivamente para receber cães e seus tutores, com atividades, restaurante e hospedagem.

Ilha para cães oferece obstáculos, corridas e brindes

O espaço oferece provas com obstáculos, corridas de barco e outras brincadeiras para os animais. Os participantes recebem carimbos durante as atividades, que podem ser trocados por brindes para os cães. Além das áreas de lazer, a ilha também conta com cabanas para aluguel, permitindo que os tutores passem o fim de semana com seus pets. "Eu vi pela primeira vez na internet. Meus cachorros adoram, ficam bem confortáveis", afirma uma frequentadora. Uma funcionária do local, que tem 12 cachorros resgatados das ruas, conta que começou a trabalhar no espaço após convite de um amigo.

Restaurante com menu francês para cachorros

Depois das atividades, os cães podem desfrutar de um restaurante próprio. O cardápio, inspirado na culinária francesa, inclui aperitivos, pratos principais e sobremesas, como tartar de atum e petit gateau de iogurte. O chef responsável explica que os pratos são preparados sem sal e sem açúcar, usando um pouco de mel nas sobremesas. "Os pratos são parecidos com os dos humanos, mas sem sal, nem açúcar. E nas sobremesas, colocamos um pouco de mel", afirma o chef.

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Raízes históricas e transformação social

A ligação dos chineses com os cachorros tem raízes antigas. O chow-chow, conhecido como cachorro-leão de língua azul, surgiu a partir de uma mistura de lobos criada no campo. O pequinês era um animal associado aos imperadores. Com a Revolução Comunista, os pets passaram a ser vistos como símbolo da burguesia. Décadas depois, o mercado de animais de estimação voltou a crescer. A veterinária Gu Yongmei conta que começou trabalhando com animais grandes, mas passou a atuar com pets diante da mudança no país. "Na minha época, era o Estado que escolhia a profissão. Me colocaram em Medicina Veterinária. Comecei a trabalhar com animais grandes, mas a China mudou. Cada vez mais gente tem pet, e tratamentos chineses começaram a ser aplicados neles", afirma.

Pets como família e novos serviços

O crescimento do mercado pet também impulsiona novos serviços, como escolas particulares para cães, onde eles participam de atividades e socialização. Caroline Zhang, tutora que adotou sua cachorra após encontrá-la amarrada a uma árvore, diz: "Adotei em 2012. Meus cachorros são meus bebês." Para a veterinária, a melhora das condições de vida mudou a forma como os chineses enxergam os animais. "Com a melhora das condições de vida aqui, a relação dos chineses com seus pets mudou. Eles os tratam como família", afirma. O empresário Eric Xiang gasta o equivalente a R$ 4 mil por mês com seu cachorro, que também participa de desfiles de moda. "Este aqui é o meu filho. Acho que, hoje em dia, as pessoas querem que os cães sejam cada vez mais parecidos com a gente", afirma. Para ele, cuidar de um cachorro é diferente de criar uma criança: "Eu consigo cuidar do meu cachorro e protegê-lo dentro de casa. Já um filho... uma hora vai ter que ser independente e encarar o mundo."

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