O processo para escolher o próximo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) entra em sua fase mais decisiva nesta quinta-feira (30). Os 15 países que compõem o Conselho de Segurança realizam a primeira votação informal, na qual cada representante indica se "encoraja", "não encoraja" ou "não tem opinião" em relação aos candidatos. Este é o primeiro teste de fogo para os sete postulantes ao cargo máximo da organização.
Os favoritos: Bachelet e Grossi
Entre os candidatos, dois nomes despontam como favoritos: a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, que já comandou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, e o argentino Rafael Grossi, atual diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Para vencer, um candidato precisa obter nove votos favoráveis no Conselho de Segurança e nenhum veto dos cinco membros permanentes (Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido).
O processo de seleção
O secretário-geral da ONU é nomeado pela Assembleia Geral, mas a escolha depende de recomendação do Conselho de Segurança. O processo inclui várias rodadas de votação informal, que servem para medir o apoio a cada candidato. A primeira votação, nesta quinta, é crucial para eliminar os postulantes com menos chances. Segundo Marcelo Lins, comentarista e apresentador do GloboNews Internacional, "a votação informal é um termômetro importante, embora não haja compromisso vinculante".
Contexto da sucessão
António Guterres, atual secretário-geral, deixará o cargo ao fim de 2026, após uma década à frente da organização. Sua gestão enfrentou crises como a pandemia de Covid-19, a guerra na Ucrânia e as mudanças climáticas. O novo secretário-geral assumirá em um momento de profunda crise de credibilidade da ONU, com desafios como conflitos armados, desigualdade global e obstáculos à cooperação multilateral.
Os candidatos e seus apoiadores
Além de Bachelet e Grossi, outros cinco candidatos estão na disputa: o ex-presidente da Eslovênia Danilo Türk, a ex-ministra das Relações Exteriores da Suécia Margot Wallström, o ex-primeiro-ministro da Estônia Jüri Luik, a ex-primeira-ministra da Lituânia Ingrida Šimonytė e o ex-ministro das Relações Exteriores da Polônia Zbigniew Rau. Cada um conta com o apoio de diferentes blocos regionais. Lins analisa: "Bachelet tem forte apoio de países latino-americanos e europeus, enquanto Grossi é visto com bons olhos por nações ocidentais e não alinhadas".
O que pode mudar com a nova gestão
O novo secretário-geral terá a missão de reformar a ONU, tornando-a mais eficiente e representativa. Lins destaca que "a organização precisa se adaptar ao século XXI, com maior participação de países em desenvolvimento e transparência nas decisões". Além disso, temas como a ampliação do Conselho de Segurança e o financiamento de operações de paz estão na agenda.
Outras notícias sobre a ONU
Em paralelo à sucessão, outros temas envolvem a organização. O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump teria manifestado interesse em que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, dispute a eleição para secretário-geral, segundo o jornal The Guardian. Já o Brasil melhorou indicadores de segurança alimentar e segue fora do Mapa da Fome, conforme relatório da ONU. Por outro lado, um programa da organização alerta para cortes na prevenção do HIV: cerca de 570 mil pessoas morreram por doenças relacionadas à AIDS em 2025.
O podcast O Assunto
Este episódio do podcast O Assunto, produzido pelo g1, discutiu o processo de sucessão com o jornalista Marcelo Lins. A apresentação é de Victor Boyadjian. O programa é produzido por Luiz Felipe Silva, Sarah Resende, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti, Stéphanie Nascimento e Guilherme Gama. Desde sua estreia, em agosto de 2019, o podcast acumula mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio e mais de 14,2 milhões de visualizações no YouTube.



