Um terremoto de magnitude 6,5 atingiu a província de Kumamoto, no sul do Japão, no início da manhã desta quinta-feira, interrompendo as operações das gigantes TSMC e Toyota. O epicentro foi localizado a uma profundidade de 10 km, segundo a Agência Meteorológica do Japão, e não houve alerta de tsunami. Até o momento, não há relatos de feridos, mas as empresas avaliam possíveis danos estruturais em suas instalações.
Impacto imediato na produção de chips e veículos
A Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) suspendeu imediatamente a produção em sua fábrica em Kumamoto, uma das mais modernas para chips de 7 nm. Em comunicado, a empresa afirmou que "a segurança dos funcionários é a prioridade. Estamos realizando inspeções de segurança e avaliando os danos. A produção será retomada assim que for considerado seguro." A fábrica é estratégica para a produção de semicondutores para clientes como Apple e AMD.
A Toyota também paralisou as linhas de montagem em suas fábricas na província de Fukuoka, próxima a Kumamoto. A montadora japonesa informou que todas as unidades na região de Kyushu foram evacuadas. "Estamos verificando a integridade dos equipamentos e a segurança dos colaboradores. A retomada das atividades depende da avaliação técnica", disse um porta-voz da Toyota à agência Kyodo News.
Danos estruturais e riscos à cadeia global
As primeiras inspeções indicam rachaduras em paredes e quedas de objetos nas fábricas, mas não foram detectados danos graves. No entanto, a interrupção pode afetar a já tensa cadeia global de suprimentos de semicondutores. A TSMC é a maior fabricante de chips do mundo, e sua unidade em Kumamoto responde por cerca de 10% da produção global de chips avançados.
Especialistas alertam que, se a paralisação se estender por mais de uma semana, os preços de eletrônicos e automóveis podem sofrer pressão. O governo japonês já mobilizou equipes de engenharia para acelerar a avaliação dos danos. O primeiro-ministro do Japão declarou que "todas as medidas necessárias serão tomadas para minimizar o impacto econômico e garantir a segurança da população".
Cenário de recuperação e medidas de contingência
A TSMC possui geradores de emergência e planos de contingência para terremotos, dado que o Japão está situado no Círculo de Fogo do Pacífico. A empresa estima que a produção possa ser retomada em até 48 horas, mas dependerá dos resultados das inspeções. A Toyota, por sua vez, possui estoques de peças para até três dias de produção, o que pode evitar paralisações maiores na linha de montagem.
O terremoto de Kumamoto é o mais forte registrado na região desde 2016, quando um tremor de magnitude 7,0 deixou dezenas de mortos e causou danos generalizados. Autoridades locais orientam a população a permanecer em alerta para possíveis réplicas nos próximos dias. As aulas foram suspensas em várias cidades da província, e o transporte ferroviário de alta velocidade (shinkansen) foi temporariamente paralisado para inspeções.



