Ventos de 120 km/h: frente de rajada explica ventania brutal no Sudeste
Ventos de 120 km/h: frente de rajada no Sudeste

Ventos que ultrapassaram 120 km/h atingiram São Paulo e Rio de Janeiro na última quarta-feira (29), provocando mortes, quedas de árvores, destelhamentos, falta de energia e interrupções no transporte. O fenômeno foi causado por uma frente de rajada, intensificada pelo forte contraste entre duas massas de ar com características muito diferentes.

O que causou os ventos tão fortes?

Antes da mudança no tempo, o Sudeste estava sob influência de uma massa de ar muito quente e seco. Ao mesmo tempo, uma frente fria se formava e avançava pelo Sul do Brasil, acompanhada por ar mais frio e úmido. Quando esse sistema chegou a áreas de São Paulo e do Rio de Janeiro, o ar frio encontrou a atmosfera aquecida que predominava na região.

Essa diferença acentuada de temperatura e umidade favoreceu a formação de ventos muito fortes e organizados, fenômeno conhecido na meteorologia como frente de rajada. Segundo César Soares, meteorologista da Climatempo, “o Sudeste estava muito quente e seco, enquanto havia uma frente fria se formando no Sul do Brasil. O ar mais úmido e frio avançou junto com esse sistema e entrou em choque com o ar mais quente e seco que estava na região”.

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Três fatores intensificaram a ventania

  • O calor e o tempo seco que predominavam no Sudeste;
  • A chegada de ar mais frio e úmido com a frente fria;
  • O forte contraste de temperatura e umidade entre essas massas de ar.

Quanto maior a diferença entre as massas, maior pode ser a aceleração do vento na faixa de contato. “Esse contraste entre duas massas de ar de propriedades muito diferentes favoreceu a formação de ventos muito intensos. Na meteorologia, chamamos isso de frente de rajada”, afirma Soares.

O que é uma frente de rajada?

A frente de rajada é uma faixa de ventos fortes que se desloca à frente de uma frente fria ou de uma área de tempestade. Ela se forma quando o ar mais frio e denso avança próximo ao solo e empurra rapidamente o ar quente que estava sobre a região. Esse movimento funciona como uma espécie de onda de ar que se espalha horizontalmente pela superfície.

Por isso, as rajadas podem chegar de forma repentina e atingir várias cidades em sequência, mesmo em pontos onde a chuva ainda não começou ou ocorre com pouca intensidade. “É como se o ar frio avançasse rente ao solo e empurrasse o ar quente para cima e para a frente”, explica Soares. Esse deslocamento pode formar uma linha extensa de ventos, capaz de percorrer dezenas ou até centenas de quilômetros.

Importante: a frente de rajada não é um tornado. No tornado, o vento gira em torno de um eixo e atinge uma faixa geralmente mais estreita. Na frente de rajada, os ventos se espalham de maneira mais horizontal e podem afetar uma área muito mais ampla. Também não é necessário que haja chuva forte exatamente no ponto atingido.

Velocidades registradas

Segundo a Defesa Civil estadual, as rajadas chegaram a:

  • 124,9 km/h em Itaí e Itaporanga;
  • 117 km/h em Taquarituba;
  • 113 km/h em Paranapanema;
  • 111 km/h em Itanhaém;
  • 104,8 km/h em Itaberá.

Os maiores valores foram registrados principalmente na região de Itapetininga e em áreas do litoral paulista.

Queda brusca de temperatura

Além da força das rajadas, a passagem da frente de rajada também provocou uma redução rápida da temperatura. Em alguns pontos da Região Metropolitana de São Paulo, os termômetros passaram de cerca de 29°C para 20°C ou 21°C em aproximadamente uma hora. A queda ocorreu porque o ar quente que estava próximo à superfície foi rapidamente substituído pelo ar mais frio trazido pela frente.

O tornado no Rio Grande do Sul foi causado pelo mesmo sistema?

A frente fria que atingiu o Sudeste foi a mesma que provocou temporais e estragos no Sul do país. No Rio Grande do Sul, o sistema encontrou uma atmosfera quente e úmida, condição que favoreceu a formação de tempestades severas. Uma dessas tempestades deu origem ao tornado que atingiu Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho na terça-feira (28).

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Apesar de estarem associados à passagem da mesma frente fria, o tornado no Rio Grande do Sul e a frente de rajada no Sudeste são fenômenos diferentes. A principal diferença está na forma e na extensão dos ventos: o tornado é uma coluna de ar em rotação que toca o solo; a frente de rajada é uma linha de ventos que se espalha horizontalmente. Não houve indicação de tornado nas áreas de São Paulo e do Rio de Janeiro atingidas pelas rajadas mais intensas. Os danos no Sudeste foram provocados principalmente pela velocidade dos ventos associados à frente de rajada e pela grande área atingida.

Impactos e alertas

As autoridades seguem em alerta vermelho para novas ocorrências. A Defesa Civil recomenda que a população evite áreas abertas e não se abrigue sob árvores durante rajadas intensas. A ventania histórica serve como lembrete da força dos fenômenos meteorológicos quando massas de ar contrastantes se encontram.