Calor extremo mata no Japão e na Coreia do Norte; El Niño ameaça Sudeste Asiático
Calor extremo mata no Japão e na Coreia do Norte; El Niño ameaça

Uma onda de calor extremo já causou mortes no Japão e na Coreia do Norte, enquanto o fenômeno El Niño amplia o alerta para o Sudeste Asiático, com previsão de menos chuvas e temperaturas acima da média entre agosto e outubro, segundo autoridades e meteorologistas.

Mortes e temperaturas recordes

No Japão, a Agência de Gestão de Incêndios e Desastres confirmou que, somente na semana passada, 23 pessoas morreram por causa do calor, e mais de 9.000 foram hospitalizadas com sintomas de insolação. Em Tóquio, os termômetros atingiram 40,2 graus Celsius, a maior marca já registrada na capital desde o início das medições, em 1875.

Na Coreia do Norte, a mídia estatal informou que o calor extremo provocou a morte de pelo menos 15 pessoas nas províncias do sul, incluindo agricultores que trabalhavam sob o sol escaldante. As temperaturas chegaram a 39,7 graus em algumas regiões, um recorde para o país.

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El Niño intensifica cenário

O fenômeno El Niño, que aquece as águas do Pacífico equatorial, tende a reduzir as chuvas e elevar as temperaturas em grande parte do Sudeste Asiático. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou que, entre agosto e outubro, há 70% de chance de condições de El Niño persistirem, o que pode agravar a seca e afetar a produção agrícola.

Na Indonésia, o governo já se prepara para uma estação seca mais intensa, com risco de incêndios florestais e de falta de água em algumas ilhas. "Precisamos estar alertas e tomar medidas preventivas para minimizar os impactos", disse o porta-voz da Agência de Meteorologia, Climatologia e Geofísica da Indonésia, Achmad Fachri.

Impacto na agricultura e na saúde

A combinação de calor extremo e seca pode reduzir a produtividade das lavouras de arroz, milho e café no Sudeste Asiático, pressionando os preços dos alimentos. Além disso, o calor aumenta o risco de doenças como dengue e malária, pois os mosquitos se proliferam em águas paradas.

Especialistas recomendam que os governos adotem medidas de adaptação, como sistemas de alerta precoce, distribuição de água e incentivos para práticas agrícolas resilientes. "O El Niño é um fenômeno natural, mas a mudança climática está intensificando seus efeitos", afirmou a climatologista Kim Soo-jin, da Universidade Nacional de Seul.

Alerta para o Brasil?

Embora o foco seja o Sudeste Asiático, o El Niño também influencia o clima na América do Sul, especialmente no Sul do Brasil, onde pode aumentar as chuvas no inverno e na primavera. No entanto, o calor extremo e a seca são mais prováveis no Norte e Nordeste.

O Ministério do Meio Ambiente do Brasil informou que monitora a situação e que os efeitos do El Niño devem ser sentidos até o fim do ano, com possibilidade de estiagem na Amazônia e na região semiárida.

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