A polícia da Coreia do Sul realizou uma operação na sede da Starbucks no país, nesta quarta-feira (5), em investigação sobre uma campanha publicitária acusada de difamar as vítimas do massacre de Gwangju, ocorrido em 1980. A ação ocorre após denúncia formal contra a operadora local da rede de cafeterias, que já havia pedido desculpas públicas pelo episódio.
Contexto da campanha polêmica
A campanha em questão foi lançada no aniversário da Revolta de Gwangju, um movimento pró-democracia que foi violentamente reprimido pelo governo militar sul-coreano, deixando centenas de mortos. A promoção, no entanto, foi interpretada como uma ofensa às vítimas e aos familiares, gerando forte repercussão negativa no país.
De acordo com a agência de notícias Yonhap, a investigação apura se a campanha violou leis que protegem a honra e a memória das vítimas. A operação policial, batizada de "Operação Gwangju", cumpriu mandados de busca e apreensão na sede da Starbucks Coffee Korea, localizada em Seul, para coletar documentos e materiais relacionados à criação e aprovação da campanha.
Reação da empresa e medidas adotadas
A Starbucks Korea emitiu um comunicado oficial no qual pediu desculpas "sinceras" e afirmou que a campanha foi um "erro de julgamento". A empresa também anunciou medidas corretivas, como a suspensão imediata da promoção e a realização de treinamentos internos sobre sensibilidade histórica para todos os funcionários.
"Lamentamos profundamente ter causado dor às vítimas e suas famílias. Estamos cooperando plenamente com as autoridades e revisando nossos processos internos para garantir que isso nunca mais aconteça", disse um porta-voz da Starbucks Korea, em declaração reproduzida pela imprensa local.
Impacto e repercussão
O caso gerou comoção nacional e reacendeu debates sobre a memória histórica do país. A Revolta de Gwangju é considerada um marco na luta pela democracia na Coreia do Sul, e qualquer tentativa de minimizar ou distorcer os fatos é tratada com rigor pela opinião pública.
Especialistas em direito e comunicação ouvidos pela imprensa local destacam que a operação policial é inédita contra uma multinacional do porte da Starbucks e pode estabelecer um precedente. "Isso demonstra que a sociedade sul-coreana não tolera a banalização de tragédias históricas", afirmou o professor de direito constitucional Kim Min-seok, da Universidade Nacional de Seul.
Próximos passos da investigação
A polícia não divulgou prazos para a conclusão do inquérito, mas confirmou que ouvirá executivos da Starbucks Korea e responsáveis pela agência de publicidade que criou a campanha. Se comprovada a infração, a empresa pode ser multada e os responsáveis podem responder criminalmente por difamação contra mortos, crime previsto no código penal sul-coreano.
Enquanto isso, a Starbucks Korea anunciou o fechamento temporário de mais de 2 mil lojas no país para a realização de treinamentos obrigatórios sobre a história do movimento democrático. A medida visa demonstrar compromisso com a reparação do erro e evitar novos boicotes por parte dos consumidores.



