Trump publica cartaz com menção a terceiro mandato nos EUA
Trump publica cartaz com menção a terceiro mandato nos EUA

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou neste sábado (1º de agosto) um cartaz em sua plataforma Truth Social com uma menção a um terceiro mandato, contrariando a proibição imposta pela 22ª Emenda da Constituição americana. A imagem, em formato de pôster, mostra a Casa Branca cercada por bandeiras e traz uma frase em inglês que sugere a continuidade do governo Trump. A publicação não formaliza uma candidatura, mas é vista como uma provocação política às vésperas das eleições de meio de mandato, marcadas para novembro.

O cartaz foi rapidamente viralizado entre apoiadores do ex-presidente, que o compartilharam em grupos de WhatsApp e em perfis nas redes sociais. Até o fechamento desta matéria, a assessoria de Trump não havia comentado a origem do material nem confirmado se ele foi produzido oficialmente pela equipe de comunicação.

O que diz a Constituição

A 22ª Emenda, ratificada em 27 de fevereiro de 1951, é clara: "Nenhuma pessoa poderá ser eleita para o cargo de Presidente mais de duas vezes". O dispositivo foi criado como reação aos quatro mandatos consecutivos de Franklin D. Roosevelt, que governou o país entre 1933 e 1945. Desde então, nenhum presidente americano conseguiu superar o limite de dois períodos na Casa Branca.

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Para que Trump pudesse concorrer novamente, seria necessário revogar ou alterar essa emenda. O processo exige aprovação de dois terços do Congresso Nacional ou a convocação de uma convenção constitucional por dois terços dos estados. Na sequência, a mudança precisaria ser ratificada por pelo menos 38 dos 50 estados americanos – um caminho considerado praticamente impossível diante do atual cenário de polarização política.

Precedentes históricos

Antes da emenda, a limitação de dois mandatos era apenas uma convenção. Ulysses S. Grant, que presidiu de 1869 a 1877, tentou um terceiro mandato em 1880, mas não conquistou a indicação de seu partido. Theodore Roosevelt, que cumpriu dois mandatos no início do século 20, voltou em 1912 como candidato de um terceiro partido e acabou derrotado. O único a romper a tradição foi Franklin D. Roosevelt, eleito quatro vezes, o que motivou a aprovação da emenda imediatamente após sua morte.

Reações imediatas

A publicação do cartaz gerou reações divergentes nos Estados Unidos. Líderes do Partido Democrata chamaram a iniciativa de "desrespeito à democracia" e afirmaram que a alternância de poder é inegociável. Já aliados republicanos minimizaram o gesto, tratando-o como uma estratégia de mobilização da base e não como um plano real de governo.

No X (antigo Twitter), o termo "terceiro mandato" alcançou os assuntos mais comentados durante o fim de semana. Pesquisas de opinião realizadas nos últimos anos indicam que a maioria dos republicanos ainda vê Trump como a principal liderança do partido, mas não há consenso sequer entre eleitores sobre a validade de uma nova candidatura.

Cenário jurídico para 2028

Caso Trump decida registrar oficialmente uma candidatura em 2028, o tema deverá ser analisado pela Suprema Corte dos Estados Unidos. A maioria dos juristas entende que a corte invalidaria a tentativa com base na literalidade da emenda. No entanto, algumas vozes minoritárias aventam a possibilidade de Trump concorrer como vice-presidente e depois assumir a Presidência após uma eventual vacância – uma hipótese rejeitada pela maioria dos constitucionalistas.

Outra corrente argumenta que a proibição se aplicaria apenas a eleições consecutivas, permitindo que um ex-presidente voltasse depois de um intervalo de quatro anos. Essa interpretação, contudo, é amplamente contestada e nunca foi aceita pelas cortes americanas.

Implicações políticas

Para cientistas políticos, a divulgação do cartaz tem como principal objetivo manter Trump no centro do debate público, arrecadar recursos e fortalecer a lealdade de sua base eleitoral. O ex-presidente também usa esse tipo de provocação para testar a reação do eleitorado e pressionar potenciais adversários nas prévias do Partido Republicano.

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Com as eleições legislativas de novembro se aproximando, o tema deve continuar gerando discussões. Trump segue como o nome mais influente da direita americana, e qualquer sinalização sobre 2028 tende a moldar o cenário político tanto dentro quanto fora do partido. A batalha jurídica, caso ocorra, promete ser um dos capítulos mais intensos da história política recente dos Estados Unidos.