Quinze anos após a tragédia das chuvas de 2011 em Teresópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, famílias atingidas ainda aguardam uma solução definitiva para a moradia. Muitas tiveram as casas interditadas e relatam dificuldades após a suspensão do benefício do aluguel social e os sucessivos adiamentos na entrega dos apartamentos prometidos pelo poder público.
Mais de 300 famílias podem ficar sem casa
Segundo representantes das vítimas, cerca de 500 unidades habitacionais ainda precisam ser construídas no município. O número, porém, não seria suficiente para atender todas as famílias que dependem de auxílio para pagar moradia.
“Mais de 300 famílias podem ficar sem moradia se novos apartamentos não forem viabilizados”, disse Laura Fermiano, do movimento Resgate da Cidadania Resiliência.
Atraso na entrega dos apartamentos
O projeto da Fazenda Ermitage é uma das principais promessas de moradia para as vítimas da tragédia. A entrega dos últimos 500 apartamentos, que estava prevista para janeiro deste ano, foi adiada para julho de 2027. O novo prazo prolonga a espera de quem vive de favor em casas de parentes, paga aluguel com recursos próprios ou ainda recebe o benefício do aluguel social.
O residencial integra o conjunto de ações habitacionais destinadas a famílias removidas de áreas de risco após as chuvas de 2011. Antes do adiamento, a previsão já havia sofrido alterações em anos anteriores, o que aumenta a insegurança entre os beneficiários.
Denúncia de superfaturamento nas obras
Além do atraso, as obras do empreendimento passaram a ser alvo de suspeita de irregularidades. Um relatório elaborado pela equipe do vereador Pedro Duarte, da cidade do Rio, apontou indícios de superfaturamento nas obras. A denúncia está sob investigação e ainda não há conclusão sobre os fatos.
A suspeita de sobrepreço reforça a preocupação das famílias que temem que os investimentos públicos não se convertam em moradias de fato. As investigações devem apontar se houve prejuízo aos cofres públicos e se os valores pagos estão compatíveis com os serviços executados.
O que diz a prefeitura
Em nota, a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos de Teresópolis afirmou que as famílias vítimas da tragédia de 2011 que têm o benefício do aluguel social ativo têm prioridade no acesso às unidades habitacionais, conforme os critérios dos órgãos responsáveis.
A pasta destacou que os atendimentos no setor de aluguel social são feitos de forma individualizada, com orientações de acordo com cada caso. “A revisão do benefício é contínua e feita pela equipe técnica, que analisa individualmente os motivos de eventuais bloqueios e a possibilidade de reativação, conforme critérios técnicos e legais.”
A secretaria também informou que a Prefeitura está dialogando com o Governo Federal para participar do programa Minha Casa, Minha Vida. A adesão ao programa é vista como uma alternativa para ampliar o número de moradias e reduzir o déficit habitacional que persiste desde a tragédia.
Espera que já dura 15 anos
As famílias atingidas em 2011 seguem em situação precária enquanto cobram do poder público respostas sobre prazos, benefícios e a efetiva construção das moradias. A entrega dos apartamentos da Fazenda Ermitage, mesmo com o novo prazo de julho de 2027, é considerada insuficiente diante do total de famílias que precisam de atendimento.
Situação em números:
- 500 unidades do projeto da Fazenda Ermitage ainda dependem de entrega;
- 300 famílias podem ficar sem moradia se não houver novas construções;
- Novo prazo de entrega: julho de 2027.
Enquanto isso, a Prefeitura diz que mantém diálogo com o governo estadual e federal, mas as famílias afirmam que a espera já dura tempo demais e cobram agilidade nas obras e na manutenção dos benefícios sociais.



