Entre 2016 e o início de julho de 2026, o Piauí registrou 26.926 nascimentos em que a certidão da criança saiu apenas com o nome da mãe, sem a identificação do pai. O número se aproxima de 27 mil e foi divulgado pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil). Para reverter esse quadro, a Defensoria Pública do Estado (DPE-PI) realiza a campanha “Meu Pai Tem Nome”, que neste ano alcança 13 municípios piauienses.
No primeiro semestre de 2026, as estatísticas apontam 1.211 crianças registradas sem o reconhecimento paterno no estado. Com os primeiros dias de julho, o número chega a 1.215. Isso representa uma redução de cerca de 15,8% em relação ao mesmo período de 2025, segundo a Arpen-Brasil. Apesar da melhora, a Defensoria considera essencial manter o serviço próximo da população.
Campanha Meu Pai Tem Nome: maior edição no estado
A mobilização começou no dia 30 de julho e vai até 7 de agosto, com atendimentos gratuitos em 13 cidades. Esta é a maior edição da campanha no Piauí em número de municípios participantes. A ação é coordenada pelo Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege) e conta com o apoio das defensorias regionais.
As cidades de Jaicós, Buriti dos Lopes, Corrente, Floriano, Luís Correia, Oeiras, Paulistana, São Raimundo Nonato e Uruçuí já receberam as equipes. Neste sábado (1º), o Dia D foi realizado em Teresina, e a programação será encerrada com ações em Parnaíba, Piripiri e Valença do Piauí.
Dia D em Teresina reúne serviços de cidadania e direito de família
Durante o Dia D, a Defensoria ofereceu reconhecimento voluntário de paternidade e maternidade, mediação, conciliação, encaminhamento para exame de DNA, orientações jurídicas e outros serviços relacionados ao Direito de Família. O objetivo é garantir o direito à filiação e fortalecer os vínculos familiares por meio de soluções consensuais.
A defensora pública-geral do estado, Carla Yáscar Bento Feitosa Belchior, destacou o compromisso da DPE-PI com a proteção de crianças e adolescentes. “A Defensoria permanecerá de portas abertas durante todo o mês de agosto para receber quem precisa acessar esses direitos e assegurar a proteção jurídica de seus filhos e filhas”, afirmou.
Reconhecimento voluntário é facilitado por exames de DNA e mediação
De acordo com a defensora pública Alynne Patrício de Almeida Santos, titular da 8ª Defensoria de Família de Teresina, a campanha prioriza soluções consensuais. “Estamos realizando reconhecimentos voluntários de paternidade, exames de DNA gratuitos e audiências de mediação. Mesmo quando a paternidade já está reconhecida, é possível buscar a Defensoria para tratar de questões como pensão alimentícia, guarda e regulamentação da convivência”, explicou.
A ação atende tanto mães quanto pais. Hayra Haynne Basílio, mãe de Jade Emanuele, de dois meses, procurou o mutirão para dar à filha o direito de ter o nome do pai no registro. “Estamos aqui justamente para colocar o nome do pai dela no registro e ter essa confirmação. Essa ação é muito importante porque garante essa certeza e possibilita que ela tenha convivência com o pai e também com a família paterna”, contou.
Pais relatam alívio ao reconhecer paternidade de forma consensual
Homens também aproveitaram a estrutura montada em Teresina para fazer o exame de DNA e oficializar a relação com os filhos. Um dos participantes afirmou que o reconhecimento é um ato de amor. “Esse reconhecimento é muito importante para mim. Desde o final da gestação já sentia esse amor, esse carinho e esse afeto. Agora esperamos apenas confirmar isso oficialmente”, disse.
Outro pai comemorou o fato de o processo ter ocorrido em acordo com a mãe da criança. “Estou muito feliz por ter realizado esse exame. Graças a Deus, ocorreu tudo certo, em acordo com a mãe da criança, e fizemos o reconhecimento da paternidade. Sou muito grato pelo trabalho de todos que contribuíram para esse momento tão importante na minha vida”, relatou.
Os dados da Arpen-Brasil mostram que, entre 2016 e julho de 2026, 26.926 crianças no Piauí foram registradas sem o nome do pai. A campanha Meu Pai Tem Nome surge como uma das principais estratégias da Defensoria Pública para reduzir esse número, oferecendo um caminho rápido e gratuito para o reconhecimento da paternidade e da maternidade. Após o encerramento da mobilização, os serviços continuam disponíveis na sede da DPE-PI e nos núcleos regionais.



