O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que a operação Southern Spear, liderada pelo Comando Sul dos EUA e pela Força-Tarefa Conjunta, conseguiu “desintegrar” o tráfico marítimo de drogas entre os Estados Unidos, o Caribe e o Oceano Pacífico Oriental. No entanto, um relatório interno da Drug Enforcement Administration (DEA), obtido pelo Washington Post, revela que os criminosos estão se adaptando rapidamente às novas táticas de repressão.
Adaptação dos traficantes
Segundo o relatório da DEA, as incursões militares não afetaram significativamente o fornecimento ou o preço da cocaína nos Estados Unidos. Em vez disso, os traficantes diversificaram suas atividades: abandonaram o uso de lanchas rápidas e passaram a empregar barcos maiores, que se aproximam da costa, onde as forças americanas têm menos probabilidade de abrir fogo. Além disso, passaram a depender mais de aviões de pequeno porte, que decolam de pistas de pouso clandestinas na fronteira entre a Colômbia e a Venezuela e seguem para o leste, em direção à Guiana e ao Suriname.
Dados oficiais e contestação
As operações militares atingiram até setembro 67 embarcações e resultaram na morte de pelo menos 221 pessoas. Trump utiliza esses números como prova de sucesso, afirmando em sua rede social Truth Social que “98,2% das drogas que entravam nos EUA por via marítima ou oceânica PARARAM!”. Contudo, agências federais contestam essa alegação. Um agente da DEA, em condição de anonimato, disse ao Washington Post: “Quando você aperta o balão de um lado, ele sempre se expande do outro. Eles sempre encontram os pontos fracos e os exploram.”
Persistência do contrabando histórico
A história do contrabando na região reforça a dificuldade de erradicar o tráfico. O comandante da Estação da Guarda Costeira de Miami Beach, tenente Matthew Ross, destacou: “Os contrabandistas vêm trazendo mercadorias ilegais para o sul da Flórida há 400 anos. Eles não vão parar.” A declaração ressalta que, apesar das medidas enérgicas, os traficantes continuam a encontrar novas rotas e métodos para burlar a fiscalização.
Implicações da operação
A eficácia da Southern Spear permanece controversa. Enquanto o governo Trump a apresenta como uma vitória no combate ao narcotráfico, os relatos de adaptação dos criminosos indicam que a operação pode ter apenas deslocado o problema, sem reduzi-lo de fato. A mudança para barcos maiores e aeronaves menores exige novas estratégias de vigilância, que podem demandar recursos adicionais das agências de segurança dos EUA.



