Última paciente com pulmão de aço nos EUA morre aos 78 anos
Última paciente com pulmão de aço nos EUA morre aos 78

Martha Lillard, considerada a última paciente nos Estados Unidos a depender de um pulmão de aço para sobreviver após contrair poliomielite, faleceu em 26 de junho aos 78 anos em Oklahoma. A causa oficial foi síndrome pós-pólio e insuficiência pulmonar crônica, mas sua irmã Cindy McVey atribui a morte aos efeitos da covid-19 de longa duração.

Uma vida de resiliência dentro do pulmão de aço

Diagnosticada com poliomielite em meados da década de 1950, aos cinco anos, Martha passou a maior parte de sua vida — cerca de 73 anos — dependendo do pulmão de aço, um dispositivo de pressão negativa que a ajudava a respirar. Diferentemente de outras crianças, ela não temia a máquina. "Ela a recarregava e a fazia se sentir melhor", contou McVey à BBC.

Apesar das limitações, Martha dirigia um veículo adaptado, pintava paisagens detalhadas como artista e cuidava de seus cães beagle. "Ela era resiliente. Encontrava um jeito ou dava um jeito", afirmou a irmã. Um mecanismo criado pelo tio e avô permitia que ela abrisse o pulmão de aço sozinha, vivendo de forma independente.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

O drama da poliomielite e o alerta sobre vacinação

A poliomielite afetava principalmente crianças, causando paralisia irreversível em uma a cada 200 infecções, segundo a OMS. Entre os paralisados, de 5% a 10% morrem quando os músculos respiratórios são afetados. A vacina tornou-se disponível em 1955, e os EUA declararam a doença eliminada em 1979. Martha contraiu a doença um ano antes do lançamento da vacina. "Eu tive uma amiga que pôde testar aquela vacina no ano em que a Martha contraiu poliomielite. Foi por muito pouco", relatou McVey.

Atualmente, a hesitação vacinal cresce nos EUA, e autoridades como Kirk Milhoan, presidente do Comitê Consultivo sobre Práticas de Imunização do CDC, sugeriram que vacinas contra a poliomielite se tornem opcionais. "Ao analisarmos a poliomielite, não devemos ter receio de considerar que vivemos em uma época diferente... Nossas condições de saneamento são outras, o risco de doença é diferente", disse Milhoan.

O medo do retorno da doença

McVey expressa preocupação com o discurso anti-vacina. "A poliomielite é terrível. A doença causa deformações e invalidez, deixando as pessoas aprisionadas. Tínhamos a situação sob controle aqui e, agora, há todas essas pessoas que não estão vacinando seus filhos." Ela teme que as lembranças da gravidade da doença estejam se apagando. "As pessoas podem achar que existem problemas com a vacina, mas há problemas muito maiores se não se vacinarem", afirmou.

Martha Lillard deixa um legado de superação e um alerta sobre os perigos do abandono da vacinação, em um momento em que o mundo celebra o Dia Mundial de Combate à Poliomielite.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar