Yellen vê inflação nos EUA acima de 2% em 5 anos e alerta para riscos
Yellen: inflação nos EUA deve ficar acima de 2% em 5 anos

Janet Yellen, ex-presidente do Federal Reserve e ex-secretária do Tesouro dos Estados Unidos, afirmou nesta quinta-feira (23) que a inflação americana deve permanecer acima da meta de 2% nos próximos cinco anos. A declaração foi feita durante painel na Expert XP 2026, maior evento de investimentos do mundo.

Pressões inflacionárias persistentes

Segundo Yellen, as tarifas impostas pela administração de Donald Trump continuam pressionando os preços internos por mais tempo do que o esperado. A esse fator somam-se as disrupções causadas pela guerra no Oriente Médio e os efeitos dos grandes investimentos em data centers, que tornam o quadro inflacionário mais desafiador.

“Num horizonte de cinco anos, estamos contando com inflação mais alta que 2%”, disse Yellen, referindo-se à meta perseguida pelo Fed.

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Fed em espera, mas pronto para agir

A ex-secretária do Tesouro afirmou que, no momento, o Federal Reserve está “on hold”, mas que os dirigentes estão prontos para elevar as taxas de juros caso a nova escalada da guerra contra o Irã persista. “Não vejo pressão inflacionária do mercado de trabalho, na forma de salários. Mas pode haver outros efeitos colaterais”, destacou.

Yellen ponderou que, se fosse membro do Fed, gostaria de analisar cuidadosamente os choques de abastecimento e esperar um arrefecimento. “Eu ficaria preocupada com o risco da inflação, olharia com muito cuidado”, completou.

Paralelos com 2024 e a crise financeira

Durante a entrevista conduzida pelo economista-chefe da XP, Caio Megale, Yellen traçou paralelos entre o momento atual e o de 2024, quando assumiu a presidência do Fed logo após a grande crise financeira global. “A crise financeira teve efeito devastador sobre a economia. A inflação cresceu e a taxa de desemprego subiu para quase dois dígitos. Reduzimos os Fed Funds para zero. Mas a economia não se recuperou tão rápido”, lembrou.

Ela também mencionou que, com o desemprego ainda alto, os diretores do Fed se depararam com um segundo elemento sensível: o nível da taxa de juros neutra. Depois veio a pandemia, que trouxe choques de abastecimento e mudanças nos padrões de gastos, com os consumidores passando a gastar mais com bens do que com serviços.

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