A Missão Naval da União Europeia e o Centro Internacional de Segurança Marítima emitiram um alerta conjunto classificando como 'alto' o risco de ataques a navios com vínculos com Israel, Estados Unidos e Arábia Saudita na região do estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho. A ameaça parte dos houthis do Iêmen, grupo aliado do Irã, que anunciaram um bloqueio à navegação saudita e se declararam prontos para atacar embarcações que consideram hostis.
Detalhes do alerta e impacto na navegação
O comunicado, divulgado nesta quarta-feira, recomenda que todas as embarcações evitem a área próxima ao estreito, uma rota estratégica por onde passa cerca de 4% da oferta global de petróleo. Segundo a missão europeia, os houthis intensificaram suas capacidades de ataque com mísseis e drones, tornando a região especialmente perigosa para navios mercantes e petroleiros.
O Centro Internacional de Segurança Marítima, com sede no Reino Unido, corroborou a avaliação, destacando que 'os houthis demonstraram disposição e meios para atingir alvos comerciais e militares'. A entidade aconselhou as companhias de navegação a revisar rotas e aumentar medidas de segurança a bordo.
Contexto geopolítico e reações
Os houthis, que controlam vastas áreas do Iêmen, incluindo a costa do Mar Vermelho, têm usado o conflito na Faixa de Gaza como justificativa para ataques a navios com ligações israelenses. Em pronunciamento recente, o porta-voz do grupo, Yahya Saree, afirmou: 'Estamos prontos para atacar qualquer navio que se dirija a portos israelenses ou que pertença a empresas dos EUA e Arábia Saudita.' A Arábia Saudita, que lidera uma coalizão militar contra os houthis desde 2015, é um alvo direto do bloqueio anunciado.
A escalada eleva a tensão sobre a alternativa de navegação pelo Mar Vermelho, que já vinha sendo evitada por muitas empresas devido a ataques anteriores. Analistas apontam que a interrupção prolongada do tráfego no Bab el-Mandeb pode forçar navios a desviar pelo Cabo da Boa Esperança, aumentando custos e prazos de entrega.
Consequências econômicas e de segurança
O alerta conjunto da UE e do centro internacional ressalta que o risco não se limita a embarcações militares, mas se estende a toda a navegação comercial na região. Empresas de logística já avaliam alternativas, enquanto seguradoras marítimas preveem aumento nos prêmios para rotas no Mar Vermelho. A situação também preocupa países dependentes do petróleo do Oriente Médio, que podem enfrentar volatilidade nos preços.



